O quão farto alguém pode ficar de tudo? A força esvai-se, finalmente, em mim, a cabeça pesa e os ombros caem tal como o carro destroçado que na curva feriu o triste transeunte da calma e pacata vila e quem viu? Ninguém viu, ninguém sabe, todos se encobrem a todos e apenas os falhados permanecem de fora. Quem sabe o que aconteceu ao pobre homem, quarentão de espírito valente, que por monte abaixo rolou? Quem sabe se sobrevive numa cama hospitalar ou permanece no gelo da morgue fechada a mil chaves, se ele estaria ali com algum propósito ou que simplesmente iria ver a família, afagar o gato que por ele mia e continua a miar, o cão que uiva mais alto que qualquer humano pode gritar, a mulher que ele veria e decerto beijaria pelos seus vinte anos de casamento mal-finalizados? E quem sabe onde ele está? Quem sabe quem é ele?
Eu sei, sou eu.
Por aqui finaliza-se a tempestade e a chuva funde-se em pequenos rolos de furacão de onde para lado nenhum partem, permanecem no ar sem sentido, procurando a devastação que teriam algum dia decerto causado piores efeitos. Une-se a eles o carrossel da vida e a vida é tirada do carrossel e eu permaneço, sem vibrar, sem mexer. A chuva não me toca, o vento passa por cima e o carrossel tirou-me apenas tudo o que era meu. Agora sim, sou vazio.
Porém, quem vou eu ser senão o vazio eu, senão o fogo que combate a água, a terra espalhada ao vento, a falta de força contra o carrossel? Que era de mim se não lutasse contra o impossível? Eu nasci, cresci e sempre vivi o impossível, tenho provas, tenho memórias, e daí ninguém me tira. Sim, sou vazio, mas quem se importa? O vazio é o melhor pois o cheio consome, endoidece, entristece, mata, rouba, tudo, tudo, tudo, e o vazio nada, excelente em nada, pois eu sou assim, pobre diletantismo este, mas isso ninguém me tira.
A força sou eu que a crio para mim, fé em mim mesmo e em nada mais, poder a quem dele necessita, buracos a quem esconder se quer, arma a quem violência se permite, nada a quem nada quer e tudo a quem tudo precisa. Afinal quem sou eu?
Estava na estrada da minha nobre vila e oiço um carro a aproximar-se, rajadas de vento superiores a 120km/h, uma tempestade formada nos céus e eu a caminhar para rever a minha família, os animais, a casa. Repentinamente repara-se ao longe nas fortes guinadas do veículo que, acidentalmente, dirigia-se na minha direcção. E eu fui o único, apenas eu, que fiz o que ninguém conseguiria. Eu parei o acidente. Eu sofri por todos os envolvidos. Consegui impor-me contra a própria natureza. E coloquei a minha mala de viagem na direcção do carro. Esta fez o que o destino que lhe proporcionei ordenava, enfincou-se numa das rodas do carro, fazendo-o bater contra os separadores laterais e parar. E assim me salvei, assim salvei o pobre condutor que fora enganado pela tempestade e enganei a própria natureza.
Tudo tem uma conclusão, um desfecho e nem todos são o doce para sempre; o meu desfecho é que continuo, como sempre, de cabeça erguida, sem nada, é verdade, mas de cabeça erguida. Muita gente não a pode ter por falar mal de outrem, prejudicar outrem, magoar outrem, ferir outrem e por aí, pois eu levanto-me e digo, com toda a voz da razão que por mim passa, sou superior. Sobrevivo. Vivo. E estou vivo.
Eu sei, sou eu.
Por aqui finaliza-se a tempestade e a chuva funde-se em pequenos rolos de furacão de onde para lado nenhum partem, permanecem no ar sem sentido, procurando a devastação que teriam algum dia decerto causado piores efeitos. Une-se a eles o carrossel da vida e a vida é tirada do carrossel e eu permaneço, sem vibrar, sem mexer. A chuva não me toca, o vento passa por cima e o carrossel tirou-me apenas tudo o que era meu. Agora sim, sou vazio.
Porém, quem vou eu ser senão o vazio eu, senão o fogo que combate a água, a terra espalhada ao vento, a falta de força contra o carrossel? Que era de mim se não lutasse contra o impossível? Eu nasci, cresci e sempre vivi o impossível, tenho provas, tenho memórias, e daí ninguém me tira. Sim, sou vazio, mas quem se importa? O vazio é o melhor pois o cheio consome, endoidece, entristece, mata, rouba, tudo, tudo, tudo, e o vazio nada, excelente em nada, pois eu sou assim, pobre diletantismo este, mas isso ninguém me tira.
A força sou eu que a crio para mim, fé em mim mesmo e em nada mais, poder a quem dele necessita, buracos a quem esconder se quer, arma a quem violência se permite, nada a quem nada quer e tudo a quem tudo precisa. Afinal quem sou eu?
Estava na estrada da minha nobre vila e oiço um carro a aproximar-se, rajadas de vento superiores a 120km/h, uma tempestade formada nos céus e eu a caminhar para rever a minha família, os animais, a casa. Repentinamente repara-se ao longe nas fortes guinadas do veículo que, acidentalmente, dirigia-se na minha direcção. E eu fui o único, apenas eu, que fiz o que ninguém conseguiria. Eu parei o acidente. Eu sofri por todos os envolvidos. Consegui impor-me contra a própria natureza. E coloquei a minha mala de viagem na direcção do carro. Esta fez o que o destino que lhe proporcionei ordenava, enfincou-se numa das rodas do carro, fazendo-o bater contra os separadores laterais e parar. E assim me salvei, assim salvei o pobre condutor que fora enganado pela tempestade e enganei a própria natureza.
Tudo tem uma conclusão, um desfecho e nem todos são o doce para sempre; o meu desfecho é que continuo, como sempre, de cabeça erguida, sem nada, é verdade, mas de cabeça erguida. Muita gente não a pode ter por falar mal de outrem, prejudicar outrem, magoar outrem, ferir outrem e por aí, pois eu levanto-me e digo, com toda a voz da razão que por mim passa, sou superior. Sobrevivo. Vivo. E estou vivo.



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