16/05/2012
madness
tento escrever novamente - mas ao invés de me sair poesia sai-me a alma. perco a veia e a veia perde-se em mim, nunca me chegando à razão. ou será que perco a razão? ou será que não a tinha? será que estou louco?
05/04/2012
piece of trash
O que será escrever? O que será aquilo que dizem ser “saber escrever”? Saber escrever é uma mentira. O escritor demonstra os seus sentimentos mas nunca diz serem dele pois tem vergonha da crítica. Pois eu, como escritor não sou, aqui os demonstro. Apesar de ser tarde demais, nunca o é quando se pede perdão por algo, e isso sim é a maior força que cada um tem em si, apesar de muitos a desconhecerem.
… e não, nunca tive a magnificência para descrever tais factos ou até de pronunciar tais palavras, também para que quereria eu ter tal mérito?, apenas me torno a mim próprio subterrâneo, a mais ninguém, mas a verdade é que a escavação, e o interior, o profundo que, talvez, obtenha de algo, alguma coisa diferente de um túnel que a isto nunca chega, sempre a meio e a todo o vapor de cima-baixo em corrente, me tornam igual ou pior a um animal que a luz não vê mas que só esta procura. A verdade é que nem me importo se a verei ou não, a verdade é que não me importa se responda ou não, a verdade é que pesa na consciência o que poderia ter sido e nunca foi. Seis anos, seis anos não são tão pequenos quanto isso, e cada um reescreveu novamente histórias sem parar, sem sequer parar para ler a sua história e a mostrar, e aqui estou eu a mostrar a minha, coisa horrenda tal que a mim me assusta, adivinho ou tento fazê-lo enquanto a outros, mas sempre deixando a minha de parte, pois essa melhor será ninguém saber.
A eterna verdade, aquela que ninguém quer saber, melhor, querer quer-se tudo, mas sabe-se mas não se questiona, mas porém então… e assim giramos como sempre; é que a mentira disfarça o total e dá-lhe a certa aparência de que no todo não se toca sendo que este fora violado atrás, bem atrás no tempo. Não é fácil viver, mesmo dizendo isto com tão pouco tempo deste ditado que é o fado, mas certamente viver é mais fácil para alguns que para outros, talvez pelo seu modo excepcional de viver em retrospectiva, aguardando a velha idade em tenra mentalidade, e daqui se tira felicidade, porém nem todos têm tal capacidade e eu não tenho e por isso sinto que é difícil viver, retrospectivas ou não as razões que as tenha eu, e assim criei eu pensamento e de tal não o tiram pois ideia é a semente do que mais obscuro temos e que mesmo assim menos que uma moeda pesará que será essa tal de alma que todos procuram (pobre Faust que assim enganado morreu pelo que procurava e corrompia, corrompendo a sua e entregando-se à grandiosidade da leveza da pena – e que pena terá esta? –, não sabendo onde pousar procurando apenas a alma como sempre mesmo sequer sem saber onde a tem ou onde a encontrar). Se haverão mais verdades?, definitivamente sim, mas para que precisamos dela se sem elas vivemos, e mais, a corrupção entre todos torna-se quando mais verdades surgem, pois nem sabemos de onde viemos nem de onde nos fizeram, e só isso corrompe-nos o pensamento de ser ou não ser, eis a questão, mas será essa a questão? Que bom que seria ser retrospectivo agora e não me preocupar com isso.
Embora verdade seja, de desculpas não passará. Seis anos. É uma vida, decerto! E que vida poderia ter tido, que participação dizimei na minha miséria de vida, ou seis anos desta, numa tal agendada rotina que tanto agora busco para mim, mas de rotinas eu nunca fui feito e sempre tal desvalorizei, até que me apercebo de que de rotinas eu serei senhor, ou estas senhoras de mim, e de tal não há como escapar. Por esta morrem, por esta matam, esta ou estas, por mim é-me indiferente, completamente. A verdade é que serei sempre o mesmo após de tanta difamação ou tentativa de corrupção, e se fora de mim ficar, a verdade aqui fica e daqui não sai, isto é a noção de que sou e serei interpretável ou pelo menos assim pareço, pois dois seres, dois locais, sempre dois, não é ser o que se é, é ser-se diferente do que se foi ontem e do que se será amanhã, and I rest my case. Mas dizem-me que tal não pode ser, que isso é errado e que não é fiável pensar assim, e que me importo eu se não me lêem como eu quero e sim como lhes der na real gana, que me importo eu que discutam comigo por ser quem sou quando tanta gente nem dizer como gostava de ser conseguem, sem revelar materialidades em sua função ou pior mostrar exemplos de algo que outro tem ou outro é para aquilo que se persegue, e sim isso é ser errado, e a partir daí basta de comigo discutirem pois acerca de mim eu próprio lido com sangue frio.
Nunca se concretizará, todos esses esforços para eu mudar, apesar de que por vezes bem queria que tal acontecesse, porém a essência será sempre a mesmo, apesar de todas as rotinas que se adicionem. E daí chego ao ponto focal ou crítico, como for preferido. A situação melhoraria, em termos efémeros, e do ponto de vista simplesmente humano, se tal me permito, clarividente se esses tais e tantos seis, tantos de longos como de curtos, de saudades como amarguras, não se tivessem passado não em si mas sim com o erro atrás causado.
É que ficava, de que modo fosse, corrigido, nas várias opções prioritárias que encontro apenas a duas posso atribuir relevo ou até talvez pensar sobre elas dado que a todas as outras abomino ou elas me abominam a mim, não sei bem ao certo; tais serão o remendo, como sempre existiu e sempre existirá, o pensamento do voltar atrás no tempo para fazer o correcto, ou o fazer não acontecer, não conhecer, olhar de lado, regurgitar no momento, algo que nem sei o que será e aí terminar com sofrimento prolongado que mil cartas a desculpar pelo amor que se carrega não chegarão para ver livre o empecilho no qual se caiu, a que prefiro eu não sei e talvez nunca saberei, pois o cérebro algo diz e o resto muito diz e o resto é maior que a parte superior mesmo que o peso da moeda lá em cima esteja a mim nada me diz respeito tal, mesmo assim, mesmo assim não derrota o resto, porém nunca o saberei certamente, penso eu, e continuo na dúvida existencial. Na verdade eu não queria estar a escrever, queria mesmo é correr, os quilómetros necessários, talvez quatrocentos nesta altura, para estar num sítio bem à minha medida, um sítio em que finalmente encaixasse como há seis anos não sinto que me encaixe, um sítio, mas sozinho? Não.
Contigo, claro. Se seis anos me distanciam do mal que fiz a culpa minha inteiramente será, porém mal fiz o erro, mal reparei no erro, ou seja, tudo, apesar do que se diga, fora, na altura, previsto, ao mínimo, que se torna agora máximo, detalhe, e eu, que o fiz, porquê um dia saberei, ainda não sei explicar porque desisti da rotina, porque nunca tentei, sequer, apegar-me, por menor apego que fosse, à rotina, à tua rotina, não o tornar-me perfeito para alguém, mas sim o saber que esse alguém tem defeitos, como eu, e não os poderá superar facilmente, e isso sim é uma virtude, uma luta a ser tomada contra algo, não o meu fugir gracioso, por mais que fosse, e perito nisso serei eu, uma virtude que se defeito lhe chamam abominarei a partir daqui o erro de quem chama assim e abomino o que fui pois a tal lhe chamei isso e erro meu declaro que por escrito dizem ter maior remédio, pois cá está, e verdade é esta que eu mudei nestes seis anos, e tu nunca viste; não te culpo, apenas a mim, e como já dito, porque fugi?, seria por medo a algo que nem eu sei o que será ou seria por querer experimentar o mundo sem que este não me desse a volta e nem soubesse disso, seria por saber que há melhor, mas para mim, e isso é que deve importar, e isso só agora vejo, para mim não há melhor, para mim era o máximo e do topo ninguém mais sobe. Eu correria sim, para ser esbofeteado em praça pública por algo a que já disse não e agora é tudo ao que digo sim e ao qual não sei fugir por mim pois em mais nada penso sem ser remediar, porém remediar é o erro e não o correcto, e novamente isso abomino, mesmo sendo o certo para o resto.
Para o resto, como força de expressão, é tudo o que fora de mim joga comigo próprio, é toda a palavra profanada contra mim. Mas dessa menor medo lhe calha, mas sim um sentimento de leveza pois força de espírito, e que força esta será que algo do peso de uma moeda lhe dá que nunca a terei nos braços que no mínimo pesarão o peso do cansaço que pesará o mesmo que eu menos o peso de uma moeda, que força esta não será que me empurra a escrever e a desculpar-me a mim mesmo sobre mim mesmo pelo que eu mesmo fiz a mim mesmo intermediando-te. Compreendo que seja confuso. Não tanto a parte do que eu me fiz, mas sim a parte do “tracinho te” intermediar algo. Porém erros literários sempre existirão. Não é de fácil explicação o facto de seres apenas intermediação de algo, nem eu sei se nas minhas totais capacidades de professor ambíguo conseguirei fazer com eu se entenda a razão de ser eu apenas o escravo da culpa nestes termos quando também houve da outra parte severos erros aos quais não posso punir, porém era da minha total responsabilidade tentar encontrar alternativas, responder a adversidades e contrapô-las ao meu ser vendo quais seriam as alternativas certas e quais seriam as erradas, e tal eu não fui capaz de fazer, daí ser eu o que se leva a desgaste e tal eu preferir. Continuando, não sei se conseguiria explicar algum dia o que fiz sem ter a leveza de espírito que há seis anos não tenho e talvez nunca terei e que ciclo vicioso se cria aqui que sou eu quem perde o que ganhar quero e em que ganhar é tudo o que queria mas perdi as forças para tal, ficando sempre a perder algo que nunca saberei se conseguiria ganhar, entretanto ganhar não poderá ser dito pois coisas destas não se ganham nem se perdem, acontecem uma vez na vida e tolos seremos se tal deixarmos escapar, pois tolo sou eu que não deixei escapar mas sim pedi quase que por favor para escapar e mais tolo ainda sou por me continuar a desculpar a mim mesmo, tentando explicar-me-te-me, se me percebes, sem nunca conseguir explicar nada a ninguém, e fico a concha vazia que sou neste momento e daqui não saio, pérola não tem, pedra rara deixou escapar, jaz em absoluto silêncio no mar e bem no fundo deste, até vir à superfície, lamuriar a perda da pedra preciosa e voltar às profundezas, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Pobre concha.
Da minha vida, e de todos os erros, este será talvez o que mais respostas requer e aquele ao qual menos respostas obtenho. É difícil lutar contra o que se é mas mais difícil é lutar contra o que se foi, pois já não se é assim e ninguém aceita uma segunda oportunidade para tal demonstrar, pesar do que se diz, e isso é compreensivo. É altamente nocivo aceitar-se uma segunda oportunidade, pois poderá vir o mesmo e a mesma maneira de pensar pode ser pensada, e os mesmos erros novamente causados. E acaba-se tudo. Automaticamente acaba-se, nem se apercebe que se acaba quando realmente se vê que acabou. E a mesma questão sobressai, então quem falhou ou o quê ou quando ou como ou com quem ou, tantos “ou”, tantas questões, às quais prefiro dizer que fui eu, pois realmente, quase por inteiro o fui, e os “ou” divagam e tornam-se difusos pois eu não procuro resposta ao que fiz nem desculpa nem um olá novamente nem nada desses termos. E retomo o inicial. A eterna verdade é a mentira, é simples. E daqui se partiu para tudo. Porém ninguém se apercebeu que quem mente se sai mal, não em frente a outros, mas sim consigo, e eu menti ao dizer que nada havia, que nada teria, que nada mexia, pois essa mentira carreguei-a estes seis anos e tornou-me pesado, e cada vez mais a moeda pesa em cima, torna-se velha ou enferrujada, eu lá saberei, torna-se algo que nunca fora e que alguém a fez tornar assim, e esse alguém é o profanador da mentira que fez com que pesasse e com que com ela convivesse, pois verdade tivesse dito mesmo que mal parecesse na altura, bem seria agora que o fado continua e a leveza adquirida desvanece – e porque só verei eu moedas agora? – em qualquer um, em mim principalmente pois fui o profanador. E tal carrego.
E novamente, desculpa. E isto porquê? Porque, em primeiro lugar, não sou coerente ao escrever-te, em segundo lugar porque sei que prosseguiste a tua vida e eu deixei seis anos a pensar em ti como quem deixa uma caneta em cima da mesa e a vai buscar duas semanas depois, e em terceiro lugar por te pedir que leias e que tentes perceber que, afinal, o erro não era teu, sempre foi meu. Estranhamente, o teu nome completo vagueia na minha cabeça, como o teu número de telemóvel, e sinto-me triste, pois esses a minha memória não apaga, ao invés de tal, apaga-me a mim.
...e qualquer dia sou uma concha, pois pérola eu já não a tenho. Um dia serei eu, um dia serei eu no fundo do mar; antes que aconteça, aqui está a minha despedida.
… e não, nunca tive a magnificência para descrever tais factos ou até de pronunciar tais palavras, também para que quereria eu ter tal mérito?, apenas me torno a mim próprio subterrâneo, a mais ninguém, mas a verdade é que a escavação, e o interior, o profundo que, talvez, obtenha de algo, alguma coisa diferente de um túnel que a isto nunca chega, sempre a meio e a todo o vapor de cima-baixo em corrente, me tornam igual ou pior a um animal que a luz não vê mas que só esta procura. A verdade é que nem me importo se a verei ou não, a verdade é que não me importa se responda ou não, a verdade é que pesa na consciência o que poderia ter sido e nunca foi. Seis anos, seis anos não são tão pequenos quanto isso, e cada um reescreveu novamente histórias sem parar, sem sequer parar para ler a sua história e a mostrar, e aqui estou eu a mostrar a minha, coisa horrenda tal que a mim me assusta, adivinho ou tento fazê-lo enquanto a outros, mas sempre deixando a minha de parte, pois essa melhor será ninguém saber.
A eterna verdade, aquela que ninguém quer saber, melhor, querer quer-se tudo, mas sabe-se mas não se questiona, mas porém então… e assim giramos como sempre; é que a mentira disfarça o total e dá-lhe a certa aparência de que no todo não se toca sendo que este fora violado atrás, bem atrás no tempo. Não é fácil viver, mesmo dizendo isto com tão pouco tempo deste ditado que é o fado, mas certamente viver é mais fácil para alguns que para outros, talvez pelo seu modo excepcional de viver em retrospectiva, aguardando a velha idade em tenra mentalidade, e daqui se tira felicidade, porém nem todos têm tal capacidade e eu não tenho e por isso sinto que é difícil viver, retrospectivas ou não as razões que as tenha eu, e assim criei eu pensamento e de tal não o tiram pois ideia é a semente do que mais obscuro temos e que mesmo assim menos que uma moeda pesará que será essa tal de alma que todos procuram (pobre Faust que assim enganado morreu pelo que procurava e corrompia, corrompendo a sua e entregando-se à grandiosidade da leveza da pena – e que pena terá esta? –, não sabendo onde pousar procurando apenas a alma como sempre mesmo sequer sem saber onde a tem ou onde a encontrar). Se haverão mais verdades?, definitivamente sim, mas para que precisamos dela se sem elas vivemos, e mais, a corrupção entre todos torna-se quando mais verdades surgem, pois nem sabemos de onde viemos nem de onde nos fizeram, e só isso corrompe-nos o pensamento de ser ou não ser, eis a questão, mas será essa a questão? Que bom que seria ser retrospectivo agora e não me preocupar com isso.
Embora verdade seja, de desculpas não passará. Seis anos. É uma vida, decerto! E que vida poderia ter tido, que participação dizimei na minha miséria de vida, ou seis anos desta, numa tal agendada rotina que tanto agora busco para mim, mas de rotinas eu nunca fui feito e sempre tal desvalorizei, até que me apercebo de que de rotinas eu serei senhor, ou estas senhoras de mim, e de tal não há como escapar. Por esta morrem, por esta matam, esta ou estas, por mim é-me indiferente, completamente. A verdade é que serei sempre o mesmo após de tanta difamação ou tentativa de corrupção, e se fora de mim ficar, a verdade aqui fica e daqui não sai, isto é a noção de que sou e serei interpretável ou pelo menos assim pareço, pois dois seres, dois locais, sempre dois, não é ser o que se é, é ser-se diferente do que se foi ontem e do que se será amanhã, and I rest my case. Mas dizem-me que tal não pode ser, que isso é errado e que não é fiável pensar assim, e que me importo eu se não me lêem como eu quero e sim como lhes der na real gana, que me importo eu que discutam comigo por ser quem sou quando tanta gente nem dizer como gostava de ser conseguem, sem revelar materialidades em sua função ou pior mostrar exemplos de algo que outro tem ou outro é para aquilo que se persegue, e sim isso é ser errado, e a partir daí basta de comigo discutirem pois acerca de mim eu próprio lido com sangue frio.
Nunca se concretizará, todos esses esforços para eu mudar, apesar de que por vezes bem queria que tal acontecesse, porém a essência será sempre a mesmo, apesar de todas as rotinas que se adicionem. E daí chego ao ponto focal ou crítico, como for preferido. A situação melhoraria, em termos efémeros, e do ponto de vista simplesmente humano, se tal me permito, clarividente se esses tais e tantos seis, tantos de longos como de curtos, de saudades como amarguras, não se tivessem passado não em si mas sim com o erro atrás causado.
É que ficava, de que modo fosse, corrigido, nas várias opções prioritárias que encontro apenas a duas posso atribuir relevo ou até talvez pensar sobre elas dado que a todas as outras abomino ou elas me abominam a mim, não sei bem ao certo; tais serão o remendo, como sempre existiu e sempre existirá, o pensamento do voltar atrás no tempo para fazer o correcto, ou o fazer não acontecer, não conhecer, olhar de lado, regurgitar no momento, algo que nem sei o que será e aí terminar com sofrimento prolongado que mil cartas a desculpar pelo amor que se carrega não chegarão para ver livre o empecilho no qual se caiu, a que prefiro eu não sei e talvez nunca saberei, pois o cérebro algo diz e o resto muito diz e o resto é maior que a parte superior mesmo que o peso da moeda lá em cima esteja a mim nada me diz respeito tal, mesmo assim, mesmo assim não derrota o resto, porém nunca o saberei certamente, penso eu, e continuo na dúvida existencial. Na verdade eu não queria estar a escrever, queria mesmo é correr, os quilómetros necessários, talvez quatrocentos nesta altura, para estar num sítio bem à minha medida, um sítio em que finalmente encaixasse como há seis anos não sinto que me encaixe, um sítio, mas sozinho? Não.
Contigo, claro. Se seis anos me distanciam do mal que fiz a culpa minha inteiramente será, porém mal fiz o erro, mal reparei no erro, ou seja, tudo, apesar do que se diga, fora, na altura, previsto, ao mínimo, que se torna agora máximo, detalhe, e eu, que o fiz, porquê um dia saberei, ainda não sei explicar porque desisti da rotina, porque nunca tentei, sequer, apegar-me, por menor apego que fosse, à rotina, à tua rotina, não o tornar-me perfeito para alguém, mas sim o saber que esse alguém tem defeitos, como eu, e não os poderá superar facilmente, e isso sim é uma virtude, uma luta a ser tomada contra algo, não o meu fugir gracioso, por mais que fosse, e perito nisso serei eu, uma virtude que se defeito lhe chamam abominarei a partir daqui o erro de quem chama assim e abomino o que fui pois a tal lhe chamei isso e erro meu declaro que por escrito dizem ter maior remédio, pois cá está, e verdade é esta que eu mudei nestes seis anos, e tu nunca viste; não te culpo, apenas a mim, e como já dito, porque fugi?, seria por medo a algo que nem eu sei o que será ou seria por querer experimentar o mundo sem que este não me desse a volta e nem soubesse disso, seria por saber que há melhor, mas para mim, e isso é que deve importar, e isso só agora vejo, para mim não há melhor, para mim era o máximo e do topo ninguém mais sobe. Eu correria sim, para ser esbofeteado em praça pública por algo a que já disse não e agora é tudo ao que digo sim e ao qual não sei fugir por mim pois em mais nada penso sem ser remediar, porém remediar é o erro e não o correcto, e novamente isso abomino, mesmo sendo o certo para o resto.
Para o resto, como força de expressão, é tudo o que fora de mim joga comigo próprio, é toda a palavra profanada contra mim. Mas dessa menor medo lhe calha, mas sim um sentimento de leveza pois força de espírito, e que força esta será que algo do peso de uma moeda lhe dá que nunca a terei nos braços que no mínimo pesarão o peso do cansaço que pesará o mesmo que eu menos o peso de uma moeda, que força esta não será que me empurra a escrever e a desculpar-me a mim mesmo sobre mim mesmo pelo que eu mesmo fiz a mim mesmo intermediando-te. Compreendo que seja confuso. Não tanto a parte do que eu me fiz, mas sim a parte do “tracinho te” intermediar algo. Porém erros literários sempre existirão. Não é de fácil explicação o facto de seres apenas intermediação de algo, nem eu sei se nas minhas totais capacidades de professor ambíguo conseguirei fazer com eu se entenda a razão de ser eu apenas o escravo da culpa nestes termos quando também houve da outra parte severos erros aos quais não posso punir, porém era da minha total responsabilidade tentar encontrar alternativas, responder a adversidades e contrapô-las ao meu ser vendo quais seriam as alternativas certas e quais seriam as erradas, e tal eu não fui capaz de fazer, daí ser eu o que se leva a desgaste e tal eu preferir. Continuando, não sei se conseguiria explicar algum dia o que fiz sem ter a leveza de espírito que há seis anos não tenho e talvez nunca terei e que ciclo vicioso se cria aqui que sou eu quem perde o que ganhar quero e em que ganhar é tudo o que queria mas perdi as forças para tal, ficando sempre a perder algo que nunca saberei se conseguiria ganhar, entretanto ganhar não poderá ser dito pois coisas destas não se ganham nem se perdem, acontecem uma vez na vida e tolos seremos se tal deixarmos escapar, pois tolo sou eu que não deixei escapar mas sim pedi quase que por favor para escapar e mais tolo ainda sou por me continuar a desculpar a mim mesmo, tentando explicar-me-te-me, se me percebes, sem nunca conseguir explicar nada a ninguém, e fico a concha vazia que sou neste momento e daqui não saio, pérola não tem, pedra rara deixou escapar, jaz em absoluto silêncio no mar e bem no fundo deste, até vir à superfície, lamuriar a perda da pedra preciosa e voltar às profundezas, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Pobre concha.
Da minha vida, e de todos os erros, este será talvez o que mais respostas requer e aquele ao qual menos respostas obtenho. É difícil lutar contra o que se é mas mais difícil é lutar contra o que se foi, pois já não se é assim e ninguém aceita uma segunda oportunidade para tal demonstrar, pesar do que se diz, e isso é compreensivo. É altamente nocivo aceitar-se uma segunda oportunidade, pois poderá vir o mesmo e a mesma maneira de pensar pode ser pensada, e os mesmos erros novamente causados. E acaba-se tudo. Automaticamente acaba-se, nem se apercebe que se acaba quando realmente se vê que acabou. E a mesma questão sobressai, então quem falhou ou o quê ou quando ou como ou com quem ou, tantos “ou”, tantas questões, às quais prefiro dizer que fui eu, pois realmente, quase por inteiro o fui, e os “ou” divagam e tornam-se difusos pois eu não procuro resposta ao que fiz nem desculpa nem um olá novamente nem nada desses termos. E retomo o inicial. A eterna verdade é a mentira, é simples. E daqui se partiu para tudo. Porém ninguém se apercebeu que quem mente se sai mal, não em frente a outros, mas sim consigo, e eu menti ao dizer que nada havia, que nada teria, que nada mexia, pois essa mentira carreguei-a estes seis anos e tornou-me pesado, e cada vez mais a moeda pesa em cima, torna-se velha ou enferrujada, eu lá saberei, torna-se algo que nunca fora e que alguém a fez tornar assim, e esse alguém é o profanador da mentira que fez com que pesasse e com que com ela convivesse, pois verdade tivesse dito mesmo que mal parecesse na altura, bem seria agora que o fado continua e a leveza adquirida desvanece – e porque só verei eu moedas agora? – em qualquer um, em mim principalmente pois fui o profanador. E tal carrego.
E novamente, desculpa. E isto porquê? Porque, em primeiro lugar, não sou coerente ao escrever-te, em segundo lugar porque sei que prosseguiste a tua vida e eu deixei seis anos a pensar em ti como quem deixa uma caneta em cima da mesa e a vai buscar duas semanas depois, e em terceiro lugar por te pedir que leias e que tentes perceber que, afinal, o erro não era teu, sempre foi meu. Estranhamente, o teu nome completo vagueia na minha cabeça, como o teu número de telemóvel, e sinto-me triste, pois esses a minha memória não apaga, ao invés de tal, apaga-me a mim.
31/12/2011
a slice of me.
Este é o último texto deste ano e, possivelmente, o último
texto, quem sabe. Mas será um texto no qual ficará tudo, tudo mesmo sobre o que
está aguentado e exerce a pressão obrigatória para sair. Finalmente terá o seu
fim. Por puras coincidências que hajam aqui reflectidas serão, simplesmente,
elas próprias, ou seja, coincidências e porquê isto, porque certas pessoas rever-se-ão
nesta fracção de vida mas, decerto, quanto mais se virem nela, menos nela estarão,
e essa é a verdade, portanto, para quem ler, e muitos não serão, pensem bem que
não é para vocês, sempre. E, antes de tudo mais, peço desculpa por desabar com
tudo o que está escondido desta maneira, de outras maneiras não consigo.
Começo por explicitar a quantidade de anos que recuo. E são
quase onze. Daqui vem o maior arrependimento da minha vida, o de não ter visto
o que devia e o de saber coisas que não sei pois não as presenciei. Todos os
homens em pelo menos uma ocasião na sua vida dizem que homens não choram, pois
eu discordo e, se errado for, eu sou dos maiores traidores desta crença e por
isso desculpa não peço. Porém, não chorei todo o dia da ocasião. Nem no dia seguinte,
porventura, o dia do real acontecimento, chorei. Mas então e à noite? À noite,
quando a minha irmã me pergunta se estou bem eu responder não soube, e então
pensei, será que estou bem?, e daí apercebi-me que penso, e pensei novamente,
porque não pude ter o visto no passaporte para dar a entrada no cemitério onde
esconderam a vida que me deu vida e porque não sei eu o que realmente
aconteceu?, e aí chorei, chorei pela vida que estava para trás e pela vida que
tinha pela frente. Morrera a minha avó e morrera aquele local, nada nos prendia
lá e nada nos prenderia, mas será que este nós me incluía ou me excluía desde
sempre? E começa aqui a minha jornada de eventualidades tristes, por vezes, por
outras, felizes, ganha força e ergue-se tal qual o nevoeiro matinal de D.
Sebastião.
Chegado a algo que não conhecia de vida antes, apenas de
vista não vivida, pura memória nostálgica, tentei, com todas as forças
adaptar-me aos relevos de uma nova maneira de ver a sociedade e os seus incógnitos
porquês, uma maneira de começar uma nova vida, mas perguntava-me porquê começar
o que já teria mas pergunta a lado nenhum leva e a vida surgiu sem que talvez a
tivesse pensado ou estudado, apenas se formou por si. E daqui baixei o
rendimento escolar (mais que uma criança não era, impossíveis a estas não se
pedem!) e a ser o alienígena em algo que não precisava de mais alguém. E assim
passei um ano e meio, até que me questiono novamente acerca da vida, desta vez
já sabendo o que seria e o que acontecia. Foi em época de exames ou perto desta
que a tragédia aconteceu, sem que ninguém pudesse esperar por ela. Foi assim
que conheci a morte, o que proporciona, como se forma e o que atenua, como mexe
com o ser humano. O caixão era branco, pureza de alguém com apenas doze anos de
vida mal volvidos, de mente vívida e mexida, e o sentimento era negro, mais
negro que os recônditos das cavernas, e aqui percebi porque não presenciara o
anterior, em que o caixão seria, talvez, castanho-carvalho francês, cor do
género, pois o negro aí extrairia qualquer luz que visse. E deparei-me com um
abismo que estaria tão perto de mim quanto eu o quisesse ter, e resolvi a nunca
o esquecer, lembrando-me, porém, que ele sempre ali estará e que talvez seja a
minha maior arma contra algo que eu bem não sabia.
Mais um novo ano, mais um novo percurso, desta vez um início
totalmente diferente, onde integrado já estava. Seria verdade isto?
Psicologicamente instável na altura, decidi-me a escutar
mais, a envolver-me, a deixar-me levar pela razão e menos pelo meu ser. Tornei-me
no marrão sem o querer, mas algo teria que ser. E as defesas criam-se nestas
situações. Nascera aí a arrogância, a defesa mais fácil contra a verdade e a
mais básica de aplicar sem tentar contradizer o meu ser, logo, a chave dos
desprotegidos, dos que pensar não querem e daqueles que nem levam nem levados
são. Tornei-me numa parte inicial de um ser. E assim fiquei três anos em que
convivi com os melhores e os piores, foi o percurso inicial ao que sou hoje,
inicial pois foi aqui que desenvolvi o que a seguir ao básico vem e que de nome
carece mas que, entretanto, é das partes mais vitais de todos nós. Não haverá
muito mais para dizer nesta altura, apenas agradecer ao desporto do qual sou aficionado
que me ajudou em tudo e se tornou o meu maior amigo.
Entra, agora, o secundário. E é aqui que me revelo como
pessoa. Novos contactos, muitos marcaram, outros nem tanto, mas sempre os
recordarei. Mas prefiro falar de uma professora, que foi mais que isso, foi uma
mentora para o que sou, e valor sobre isso terá até que o que sou morra de
morte em si ou morte mental ou morte qualquer que seja, o que for. Entra aqui a
pergunta, mas afinal que sou eu senão o desperdício de carne e ossos num saco
chamado por alma?, e a resposta é simples até, o saco são os ossos, bag of bones,
e não a alma, como diria antes, mais perguntas sobre isso será o que sou eu e
isso todos têm que adivinhar em si e não saber por um outro qualquer pois
valores são diferentes e mudam constantemente de persona para persona. E apesar
de apenas um ano estar com a minha mentora, ensinou-me que a arrogância não era
o caminho a cimentar, apenas um meio para esse caminho, e o mais importante
nesta é que não seja deixada para trás mas sim utilizada em ocasiões
vitalícias, como numa simples pergunta em que seria eu um Homem ou um rato, à
qual penso ter respondido da melhor maneira possível, abandonando a sala à
segunda vez que pronunciara essas palavras, e é a isto que respeito deverá ser
dado, doado, vendido se tal puder ocorrer, são estas perguntas que formam o ser
e que deixam ser o ser de ser ser. Confuso? Talvez, mas verídico.
Porém não entendi tudo inicialmente, e fiz uma vida anormal
um certo tempo, sem me compor de actos, metendo-me novamente em factos que pior
me deixariam, e factos actos chamemos, actos estes que me arrependo,
principalmente, no ano a seguir ao abandono da minha mentora.
O meu percurso não era regular, era inconstante, retirando o
facto das amizades fortes permanecerem uma charneira do que era até ali. Porém,
o que um dia poderia ter sido tudo, tornou-se o meu maior arrependimento na
vida e, até hoje, não esqueço esse arrependimento. Pois é, no ano de 2006, se
em erro não estarei, perdi parte do que hoje poderia ser eu. Conquistei essa
parte de forma inóspita, o que me levara a pensar se conquistara ou não, tal
como todas as outras conquistas do género foram até ali, pois aquela parecia-me
nova e impossível, mais que as demais atrás. E por isso fui estúpido ao ponto
de a ver partir de mim, a abandonar-me por culpa, principalmente, minha, e eu
nada fazia. Acordei tarde demais, apercebi-me que poderia ser tudo quando o
nada pela outra parte já era, e tornei-me vazio, procurando reconquistar o que
para sempre fugira. Hoje peço aqui desculpa por isso, pessoalmente e
publicamente, e possivelmente pedirei para passar por aqui para ver este
pedido, apenas dizendo que nunca deixei e nunca deixarei de pensar no que
sucedeu, nunca.
E acordei.
Acordei antes de catástrofes acontecerem, fiz e refiz amizades,
umas mais fortes que outras, e muitas dessas ainda hoje aprecio e digo a essas
pessoas que as amo. E apenas um ano estive com elas, ano em que continuei o
modo de vida que tinha. Entra agora em jogo a decisão profissional vindoura. Até
aqui a família foi pouco referida, pois sempre tomou o meu lado em qualquer
escolha que fizesse. Porém, nesta altura, houve divergências. Muita coisa ouvi,
muita coisa guardei, muita coisa eliminei, a verdade é que poucos apoiavam
aquilo que queria e muitos, maioria absoluta, contrariavam a minha expectativa
de futuro. Entretanto segui o sonho e vivo-o intensamente todos os dias, a
veracidade de me tornar um jovem arquitecto. Não o faço para fazer ver a
ninguém pois assim me ensinou a minha mentora, arrogância zero, apenas para me
revelar quem realmente sou, diletante de palavra, nobre de sentimento.
Após entrada o ritual de sempre, novos amigos, novas
personalidades, novas escolhas. Desvendei, descobri e defendi a minha oposição
certa à descoberta o grupo problemático entre colegas e hoje admiro-me por isso
pois, se continuasse a ser como era, apostando na arrogância, seria eu parte
desse grupo, talvez até o cabecilha. Mais um agradecimento à minha mentora, que
nada lhe escape de vista sobre a sua filosofia e que continue a conjugá-la com
a psicologia que a capacita de tudo.
Antes de acabar, pois mais não falarei, gostava de
explicitar o sentido deste blog. Não sou eu que escrevo neste blog, ou melhor,
sou eu, mas não sobre mim, e sim de problemas que talvez maior parte de nós,
população, tenhamos. Não sou especial por isto, mas talvez o seja por tentar
conjugar estes com pequenos fragmentos ideológicos sobre algo que não sei se
será o correcto ou não, daí perguntar-me se o que escrevo é para x ou para y é
o mesmo que perguntar a Saramago se escreveu o evangelho segundo jesus cristo
depois de falar com este, ou a Pessoa se alberto caeiro sabia que pensar até
pode ser bom, pois estes não são reias no hoje destes dois escritores. Logo não
sou eu que tenho estes problemas ou pensamentos, é toda a gente, apenas os
revelo de diferentes maneiras, e esta para mim é a mais indicada. Porém, talvez
tenha chegado ao fim. Faz-me bem demais pensar nos meus problemas sendo
problemas de todos, e o que me faz bem não me muda. Talvez seja o fim deste
blog. Ou talvez não, quem sabe. Quantas mais dores de cabeça tiver mais
headaches publicarei, quantas mais vezes chorar mais me revoltarei, quanto mais
me passarem melhor intermediário serei. E voltamos à charneira da vida… ser ou
não ser, eis a questão!
Obrigado por me aturarem, obrigado por tudo. Um bom ano a
todos, um bem haja e um até já…
27/12/2011
crónicas do tá n'hora, hoje às cinco.
As pessoas tendem a esquecer-se das pessoas. Ao longo do
tempo deixam de ter importância na vida das outras, muitas vezes até a cara
desvanece e esquecem-se por completo. A minha pergunta é a seguinte, será isto
propositado ou desregulado e inconsciente?
Se for inconsciente, tenho a ditar que sou um belo reconhecedor facial. Raios partam, não esqueço uma única pessoa e, mesmo passados mais de dez anos, consigo lembrar essa pessoa, mesmo tendo mudado drasticamente! Será defeito ou feitio? Será meu, de pouca parte, de grande parte ou de todos? E se for de todos passamos a segunda teoria.
O propósito de esquecer a face ou imagem de outrem advém de desfortúnios causados por esse outrem ou, simplesmente, o porque sim que todos dizem, e de onde provém o porque sim?, esse provém da falsa ignorância sobre assuntos aos quais não se querem tocar e aos quais se refere muito mais que um querer esquecer porque algo não correu certo ou algo similar, mas sim o ódio profundo, que disto não passará e não se quer sequer pronunciar pelo assuno, e assim nasce o porque sim. Em qualquer um destes casos penso que dotado não fui pois mal a ninguém quero e esquecer só esqueço o pelo qual nunca passei, aprendendo assim o máximo do passado, logo penso que não preciso esquecer de ninguém, e logo não compreendo o porquê de alguém o fazer.
Entretanto, falta uma teoria. Essa é facilmente aplicável por qualquer um, que passa pelo fingimento. E este dói a quem o sabe que estará a receber. E volto a perguntar, então e porquê? Que fez de mal quem o recebe?
Por fim, e fim não se entenda que muito ainda falta e que haverão caminhos pelos quais não entrarei pois são tão profundos que nem o oceano Pacífico enfrenta, concluo com algumas tentativas de desvendar este mistério dos fingimentos. Às vezes, as pessoas não se falam porque, simplesmente, têm medo. E medo de quê? Medo do “será que ainda se lembra”, ou “será que conhece” ou o “será que devo ou não falar” e por será não passará pois a forma mais fácil de contornar dificuldades é o fingimento, e daqui advém a primeira probabilidade, sem esquecer que não direi todas as que penso. A segunda passa pelo facto de conhecer mas não querer demonstrar esse conhecimento e a partir desta haverá várias ramificações, tanto de uma paixoneta passada como de divergências sociais, dizendo que esta é a mais comum de todas, apesar do que se possa dizer, e também a mais estúpida, seguindo um pensamento final explicado mais adiante. A última que exporei, a final divergência que leva ao fingimento, é o querer, não querer saber e não querer. Por partes. Em primeiro lugar quer-se falar e a vontade palpita no lugar vazio em que se denomina que esteja o coração, e vazio porquê se ele realmente lá estará, daí advém o não querer saber. Este não querer saber é o mais forte, o mais enérgico e inebriante, pois desliga qualquer sentimento que possa ser vindouro, mas será que realmente não quer saber ou simplesmente tem medo que o desconhecido seja melhor que o conhecido e que o desligado pode-se ligar muito mais rápido que uma faísca e destronar algo que se julga ser já o perfeito e o presenciável até ao tal até que a morte nos separe e, por aí, viver uma vida nas suposições lastimáveis do que poderia ser e não foi, do que se tornou tal sujeito e eu poderia seguir tais requisitos e no que agora tal não possa pois a vida está servida e precisa de ser vivida. E daí entra, por fim, o não querer. E aqui entra o fingimento, e entra o pensamento do será em prática. Este é o mais forte de todos, emocional ou psicologicamente, e muita gente o usa, para infortúnio deles.
Em suma, e tentando explicar o porquê desta teoria, haverá
uma classe aparte, cada vez mais significativa, que são os espectadores. Ou
seja, aqueles que pensam receber algo em algum momento, porém ficam vazios por
ver que fingimentos com estes também acontecem. E qual é o pensamento que fica?
Qual é o sentimento que persiste? É o vazio. De vazio não passa. Porém, é a
pena também, não de si próprio, mas do outro que fingiu. Entretanto fácil será
dizer que a melhor oferta que a estes se pode dar é o simples olá que daí não
passará, mas esses simples olá chegava, e um sorriso se formava.
Será difícil de perceber?
Num mundo em que o ódio domina, não é mais necessário o
desprezo, é necessário o abrigo. Mais que isto? Não sei dizer.
22/11/2011
desabafo com o mundo da idiotice parte II
Que dia se fez hoje. Hoje fez-se o dia que não se
corresponde à palavra invocada, o dia que não faz jus ao ser chamado, o dia que
não é dia.
Tentativas frustradas estão por
toda a parte, mas hoje renomearam-se mais alto que o sempre, e eu nunca vi o
sempre, mas também o nunca não vi, por isso por aí andou.
Fraca antologia esta mas
verdade sistemática se torna nos dias que não são dias. E hoje foi um dia
assim.
Começo-me a tornar confuso no
que escrevo. Estou-me a criticar por isso. Talvez seja por andar confuso,
querer coisas e não as poder dizer, tentar algo sem poder mostrar e, claramente,
o karma ainda não joga do meu lado. É algo que só te passa
a ajudar quando já não te importas e isso é impossível actualmente.
E agora começo o desabafo.
Certo dia, um jovem percorre
uma rua, quase avenida, bastante colorida. Esse jovem, despreocupado, tropeça,
cai e magoa-se. Senta-se, trata da ferida e vai-se embora.
A questão, melhor, as questões.
Quem era o jovem? Porquê a
referência à avenida? Porquê toda a cor? Porque será despreocupado? Porque tropeça
e cai? Porque se magoa? Porque se senta e trata da ferida? E porque se vai
embora?
Analisemos. A qualquer jovem
pode suceder algo parecido, mas este jovem é particular e peculiar. E a
situação então é de uma peculiaridade peculiar em si mesma, irónico não? Mas verdade.
Este jovem tem esperança, e porque digo isto? Porque a avenida é uma rua,
apenas uma rua mais larga, muito mais larga, e a esperança torna-nos
flutuantes, ou quaisquer membros de algo louvaminhados, eu sei lá que mais,
também não posso falar assim tanto que a minha caiu por terra e trato-a ou não
ainda não sei, mas assim se vê que era um jovem esperançado. Daí provém a cor. Porquê
cor? Porque a cor é a vida e a vida não pára até à morte e para lá chegar são
dois segundos sem reparar que um deles já passou e o outro é agora e daí a
despreocupação. Ou seja, é um jovem feliz. Não se preocupa com nada, tem a
cabeça cheia de algo que ainda não foi explicado, nem precisa de ser porque se
decifra sem olhar e se sente sem querer, e assim o foi e assim o será, ámen ou
lá o que quiserem dizer pois nada eu direi. E a felicidade é uma rosa com todos
os seus espinhos e todas as quedas se originam em tropeções e daí se vai o
jovem despedaçar contra uma barreira à qual chamamos chão e deitar algo não
palpável ao chão. Daí ele tropeçar e cair, algo o deitou propositadamente ao
chão, força invisível ou poder especial de algo sobre algo nem o jovem
conseguirá explicar.
Agora, uma questão
importantíssima.
Porque se senta?
Quem sabe o que significa o
acto de sentar?
Esta palavra veio do latim
sedentare, de sedeo -ere, estar
sentado ou ter assento. Significa tanto pôr(-se) num assento (assentar) como
colocar ou colocar-se em determinado lugar, e aqui vem a analogia, pois isto
significa três coisas – estabelecer, fixar, instalar. Basicamente ele não se
sentou, ele estabeleceu os seus princípios e as suas virtudes de modo a
percorrer um caminho diferente ao que tanto mal lhe faria mas que tanto ele
gostava. De seguida ele fixou as suas ideias num presente-futuro breve e tentou
conciliar o que tinha, o que tem e o que poderá ter, fez planos a curto prazo e
realizá-los-á a longo prazo pois a ideia foi fixa e de fixa não mudará pois os
princípios são paradigmáticos e apenas em anos e anos de experiência se mudam
as virtudes com a mudança de vontades e de vontades o jovem não muda mantendo
então as virtudes virgens. Por fim, instalou. E instalou de modo a que a
formatação nada fará para contrariar a instalação. Instalou a sua salvação, que
é um olhar para a frente e um não me preocupo mais com isso e isso é a
instalação mais segura que este fez, o rápido e o eficaz dos tempos modernos, o
não me chateies com a minha vida pois dela cuido eu e mais não seria preciso
dizer se não houvessem as feridas.
A questão final é a seguinte:
será que as curou… ou as deixou propositadamente abertas?
Se eu fosse o jovem,
deixá-las-ia abertas…
09/11/2011
(in)conscientemente em casa
Queria expressar o que sinto, queria mesmo.
Mas hoje não é a minha vez.
Hoje é a vez de alguém que precisa mais que eu de se expressar. É o meu inconsciente; portanto tudo o que se seguir não será da minha autoria.
Não sei como foi nem quem foi, só sei que vem ter comigo de certeza e vai recair em cima de mim, tenho a certeza disso e isso era o que eu não queria mesmo nada mas quem bem faz mal atrai e mal vem mal vai e quem de mau tem muito de mau dá pouco e o mau fica dentro e torno-me num buraco negro de emoções e já nem sei quais são as reais e de repente tanto quero desaparecer do mundo como quero voltar àquele lugar que tanto quero ir mas resisto e não vou e caminho lentamente ao sabor da chuva a cantar o mais alto possível porque é assim que a vida deve ser levada, porém este canto é um lamurio mas eu não me importo porque não quero saber o que se passa à minha volta apenas me quero definir e voltar onde esteja o ponto zero ou ainda melhor, tornar-me mais e mais ainda e é assim que todos os dias tenho passado sem saber bem o que digo mas depois também posso falar do estar cansado, realmente muito, e assim passo, eu, os meus dias, grandes dias, pequenas noites mas grandes dias, cansado, arrasto-me, por aí, mas não importa, porque depois, volta a força que me leva e me agarra não sei para onde ir e volto à chuva e canto a gritar sem que ninguém perceba bem porque a rua está vazia mas isso talvez seja falso e eu é que o veja assim mas ainda não pensei sobre isso apenas me veio essa luz agora e depois chegaria a casa mas não a minha mas afinal sim é à minha porque não irei a casa alguma que minha não seja e sejamos metafóricos por assim ser e volto a ficar cansado, tão cansado, e paro, e volto, repentinamente, a parar, e pensar, será que vale a pena, parar, no meio do vazio, que é o buraco negro, que sou eu, e as minhas emoções, e depois volta, a adrenalina de fugir deste mundo e percorrer todo um subterrâneo e todo um universo paralelo em que renasço da cinza da qual acabei de me tornar e depois esvoaço outra vez mas isso é sempre assim e todos são assim não sou só eu e como eu não sei como ser volto a casa e em casa perguntam-me novamente o que tenho e como estou e como está esta casca aqui fora que só serve para escrever o que estou a pensar e depois volto a mim e digo não se passa nada e a partir daí fico cansado, intensos momentos, fatigam qualquer alma, mas já não sei do que é, mas o que eu acho, é que vou voltar a dormir.
Agora, tirem o que precisam, curiosidades, tudo o que quiserem, o resto deitem fora, eu não vou reler. Exausto, completamente. Agora a minha explicação.
Que faço quando a parede que está em cima de mim, à qual eu chamo tecto, se abate sobre mim e me esmaga no chão? Que fazer quando a parede por baixo de mim, à qual eu chamo chão, me esmaga contra o tecto como se um elevador me esmagasse contra uma cortina de betão? E que fazer quando não há mais paredes, às quais eu chamo casa, abrigo, calor, amor, lazer, querer, temer, jogar, brincar, sofrer, falar, voar, cair, chorar, sorrir... enfim, sentir?
Quando Ícaro se derramava pelos céus até embater no betão duro que seria a água do mar Egeu que sentiria o seu pai que, aos prantos, prosseguiu para a costa siciliana? Que voz dentro dele foi morta só "porque sim" e porque um sonho falou mais alto? Que figura, seja cristã, ateia, mitológica, o que seja, deseja ver o que precisa no momento, cair em pedaços e desaparecer para o nunca ou para o sempre? Qual é a dor do sempre? E a dor do nunca?
Aqui vai a diferença sentida.
A dor do sempre é aquela em que sabes que o que fizeste é errado, que o que fizeste não devias ter feito, que o que fizeste é algo que vais repugnar.
A dor do nunca... é pior, simplesmente é saberes que fizeste mas não fizeste, que foi mas não foi, que era mas não era, que seria mas não será.
A partir daqui, que sentiria Dédalo, ao ver Ícaro cair, por seguir um sonho e não as suas indicações? Sentia o fim do mundo, sentia o adeus, sentia o mar, o céu, a ira divina, a vitória derrotista ou a derrota vitoriosa?
Nenhuma delas.
Sentia falta da sua...
...casa.
Mas hoje não é a minha vez.
Hoje é a vez de alguém que precisa mais que eu de se expressar. É o meu inconsciente; portanto tudo o que se seguir não será da minha autoria.
Não sei como foi nem quem foi, só sei que vem ter comigo de certeza e vai recair em cima de mim, tenho a certeza disso e isso era o que eu não queria mesmo nada mas quem bem faz mal atrai e mal vem mal vai e quem de mau tem muito de mau dá pouco e o mau fica dentro e torno-me num buraco negro de emoções e já nem sei quais são as reais e de repente tanto quero desaparecer do mundo como quero voltar àquele lugar que tanto quero ir mas resisto e não vou e caminho lentamente ao sabor da chuva a cantar o mais alto possível porque é assim que a vida deve ser levada, porém este canto é um lamurio mas eu não me importo porque não quero saber o que se passa à minha volta apenas me quero definir e voltar onde esteja o ponto zero ou ainda melhor, tornar-me mais e mais ainda e é assim que todos os dias tenho passado sem saber bem o que digo mas depois também posso falar do estar cansado, realmente muito, e assim passo, eu, os meus dias, grandes dias, pequenas noites mas grandes dias, cansado, arrasto-me, por aí, mas não importa, porque depois, volta a força que me leva e me agarra não sei para onde ir e volto à chuva e canto a gritar sem que ninguém perceba bem porque a rua está vazia mas isso talvez seja falso e eu é que o veja assim mas ainda não pensei sobre isso apenas me veio essa luz agora e depois chegaria a casa mas não a minha mas afinal sim é à minha porque não irei a casa alguma que minha não seja e sejamos metafóricos por assim ser e volto a ficar cansado, tão cansado, e paro, e volto, repentinamente, a parar, e pensar, será que vale a pena, parar, no meio do vazio, que é o buraco negro, que sou eu, e as minhas emoções, e depois volta, a adrenalina de fugir deste mundo e percorrer todo um subterrâneo e todo um universo paralelo em que renasço da cinza da qual acabei de me tornar e depois esvoaço outra vez mas isso é sempre assim e todos são assim não sou só eu e como eu não sei como ser volto a casa e em casa perguntam-me novamente o que tenho e como estou e como está esta casca aqui fora que só serve para escrever o que estou a pensar e depois volto a mim e digo não se passa nada e a partir daí fico cansado, intensos momentos, fatigam qualquer alma, mas já não sei do que é, mas o que eu acho, é que vou voltar a dormir.
Agora, tirem o que precisam, curiosidades, tudo o que quiserem, o resto deitem fora, eu não vou reler. Exausto, completamente. Agora a minha explicação.
Que faço quando a parede que está em cima de mim, à qual eu chamo tecto, se abate sobre mim e me esmaga no chão? Que fazer quando a parede por baixo de mim, à qual eu chamo chão, me esmaga contra o tecto como se um elevador me esmagasse contra uma cortina de betão? E que fazer quando não há mais paredes, às quais eu chamo casa, abrigo, calor, amor, lazer, querer, temer, jogar, brincar, sofrer, falar, voar, cair, chorar, sorrir... enfim, sentir?
Quando Ícaro se derramava pelos céus até embater no betão duro que seria a água do mar Egeu que sentiria o seu pai que, aos prantos, prosseguiu para a costa siciliana? Que voz dentro dele foi morta só "porque sim" e porque um sonho falou mais alto? Que figura, seja cristã, ateia, mitológica, o que seja, deseja ver o que precisa no momento, cair em pedaços e desaparecer para o nunca ou para o sempre? Qual é a dor do sempre? E a dor do nunca?
Aqui vai a diferença sentida.
A dor do sempre é aquela em que sabes que o que fizeste é errado, que o que fizeste não devias ter feito, que o que fizeste é algo que vais repugnar.
A dor do nunca... é pior, simplesmente é saberes que fizeste mas não fizeste, que foi mas não foi, que era mas não era, que seria mas não será.
A partir daqui, que sentiria Dédalo, ao ver Ícaro cair, por seguir um sonho e não as suas indicações? Sentia o fim do mundo, sentia o adeus, sentia o mar, o céu, a ira divina, a vitória derrotista ou a derrota vitoriosa?
Nenhuma delas.
Sentia falta da sua...
...casa.
10/10/2011
contra as armas
Venho aqui vingar-me, por ordem do próprio, contra as armas da injustiça.
Por quem passam destroem e devastam ao máximo o que naturalmente está perfeito e esta sátira torna-se vingativa e, de repente, todos se vingam. Pois a minha vingança é calada. Agora ela sai.
Se não sou exemplo a seguir então ninguém o é, e disso tenho a plena consciência. Se fraco chamam ao que mais forte é que fará de outrem? Covarde? Triste? Incompetente? Eu chamo-lhe desesperado de atenção, àquele que tudo faz para se mostrar superior e acaba na sarjeta... ou pior, mas isso não me compete a mim avaliar. Entretanto fazem-me o mesmo. Pois sangue azul não será vermelho nunca e da nobreza ninguém cai, de nobre que é, humilde poderá vir a ser, se a cabeça em cima dos ombros estiver. O pior é quando o azul esgana a visão e enubla todo o campo vasto que à frente se estende, e é aqui que se grita.
Mas isto é o caminho contrário ao que se deve fazer. Se gritas, expeles o demónio para o exterior e em vez de o deixares ir prende-lo com as mãos, o que de melhor nada acrescenta, apenas torna mais violento o acto. A vingança serve-se de uma forma muito mais discreta. Basta esperar que alguém a faz por nós, se não for o mesmo que nos atacou, e assim se bate a injustiça.
A mim perguntam-me, então e achas que acabará aqui a injustiça?, ao que eu respondo, claro que não, mas és tu que controlas se a queres ou não, e daí és tu que controlas um jogo que ninguém controla, não és um robot mas tens mais visão que os que um palmo à frente não vêem e tentam arranjar mil e uma maneiras de escapar à dor; pois tu és superior e tu sofres de cabeça erguida; independentemente da merda que estejas por dentro por fora estás sempre alegre, amigo, bem-disposto, sempre presente; pois guarda o teu interior para ti e para o próximo de ti pois nunca saberás se a confiança chegará cedo ou tarde e isso só depende de uma visão hipotética de possibilidades imorais sobre as quais nunca consegues pensar mas sim confiar, ou seja, nesta merda toda, que nome diferente não tem, nem que a repetição se torne exaustiva não arranjarás outro, ou confias ou confias, tens as costas ensanguentadas das contínuas facadas que te dão a torto, a direito, a oblíquo, seja o que for, mas continua, haverá alguém como tu, com os mesmos valores, as mesmas perguntas, o mesmo sentido, a mesma definição, a mesma fibra e o mesmo raciocínio, com uma capacidade parecida, e aí poderás ensinar o que te estou a ensinar. Poderás ensinar o amor, a amizade, o carinho, a vida em si, os significados, sem que essa pessoa pense que estás melancólico, falso, frio, triste, contente, o que seja, mas que apenas queira aprender daquilo que tens a dar sem contrapor nada e sem julgar aquilo que poderás ensinar de errado mas sim vendo o teu ponto de vista e a congratular-te pela tua capacidade de pensar em algo com cabeça, tronco e membros por ti próprio. Quando esse dia chegar, agarra essa pessoa e não a largues; até lá, limita-te a viver, experimentar, saborear, eliminar limites, apanhar pedras, atirar conchas, respirar o ar do campo, sentir as mãos calejadas do teu pai, a voz alegre da tua mãe, a pele macia da tua irmã, a vida da tua outra irmã, limita-te a ti, aos outros, cria círculos, vibrações, amizades, tremores, sentimentos, paixões, despertares, penumbras, eclipses, e aí, sentirás, que, afinal, és algo, és alguém, e mereces ser o que quer que sejas, desde que não escapes às regras. Sê nobre, humilde, forte, fraco, paciente, sensível, resistente, rápido, calmo, ágil. Sê inteiro e não desistas do que és mesmo que aos outros não agrade; pois o que tu és é uma dádiva dada a ti e aos outros que queiram seguir a vida de um amigo ou colega e o que não és os outros tentarão ser para que tenham algo que não tenhas e que a partir daí sejam superiores a ti. Pois pensa que isso é o oposto da realidade, na verdade, quem supera é quem não mexe, como já sabes, a vingança não se provoca, espera-se por ela e, do mais simples toque ou gesto, ela acena ao teu lado. Porém lembra-te: serás melhor se não esperares por ela e sim se nunca a esperares e ela acontecer. É isso que te faz como um e não partes.
E foi isto, foi isto que eu me disse a mim mesmo, e foi isto que aconteceu. E assim me vinguei contra a injustiça que por mim recai, e é assim que continuarei até que acabe a fonte de tal perjúrio. Talvez um dia improve mais, talvez me mantenha assim. Enquanto assim estiver… mal não estou.
Por quem passam destroem e devastam ao máximo o que naturalmente está perfeito e esta sátira torna-se vingativa e, de repente, todos se vingam. Pois a minha vingança é calada. Agora ela sai.
Se não sou exemplo a seguir então ninguém o é, e disso tenho a plena consciência. Se fraco chamam ao que mais forte é que fará de outrem? Covarde? Triste? Incompetente? Eu chamo-lhe desesperado de atenção, àquele que tudo faz para se mostrar superior e acaba na sarjeta... ou pior, mas isso não me compete a mim avaliar. Entretanto fazem-me o mesmo. Pois sangue azul não será vermelho nunca e da nobreza ninguém cai, de nobre que é, humilde poderá vir a ser, se a cabeça em cima dos ombros estiver. O pior é quando o azul esgana a visão e enubla todo o campo vasto que à frente se estende, e é aqui que se grita.
Mas isto é o caminho contrário ao que se deve fazer. Se gritas, expeles o demónio para o exterior e em vez de o deixares ir prende-lo com as mãos, o que de melhor nada acrescenta, apenas torna mais violento o acto. A vingança serve-se de uma forma muito mais discreta. Basta esperar que alguém a faz por nós, se não for o mesmo que nos atacou, e assim se bate a injustiça.
A mim perguntam-me, então e achas que acabará aqui a injustiça?, ao que eu respondo, claro que não, mas és tu que controlas se a queres ou não, e daí és tu que controlas um jogo que ninguém controla, não és um robot mas tens mais visão que os que um palmo à frente não vêem e tentam arranjar mil e uma maneiras de escapar à dor; pois tu és superior e tu sofres de cabeça erguida; independentemente da merda que estejas por dentro por fora estás sempre alegre, amigo, bem-disposto, sempre presente; pois guarda o teu interior para ti e para o próximo de ti pois nunca saberás se a confiança chegará cedo ou tarde e isso só depende de uma visão hipotética de possibilidades imorais sobre as quais nunca consegues pensar mas sim confiar, ou seja, nesta merda toda, que nome diferente não tem, nem que a repetição se torne exaustiva não arranjarás outro, ou confias ou confias, tens as costas ensanguentadas das contínuas facadas que te dão a torto, a direito, a oblíquo, seja o que for, mas continua, haverá alguém como tu, com os mesmos valores, as mesmas perguntas, o mesmo sentido, a mesma definição, a mesma fibra e o mesmo raciocínio, com uma capacidade parecida, e aí poderás ensinar o que te estou a ensinar. Poderás ensinar o amor, a amizade, o carinho, a vida em si, os significados, sem que essa pessoa pense que estás melancólico, falso, frio, triste, contente, o que seja, mas que apenas queira aprender daquilo que tens a dar sem contrapor nada e sem julgar aquilo que poderás ensinar de errado mas sim vendo o teu ponto de vista e a congratular-te pela tua capacidade de pensar em algo com cabeça, tronco e membros por ti próprio. Quando esse dia chegar, agarra essa pessoa e não a largues; até lá, limita-te a viver, experimentar, saborear, eliminar limites, apanhar pedras, atirar conchas, respirar o ar do campo, sentir as mãos calejadas do teu pai, a voz alegre da tua mãe, a pele macia da tua irmã, a vida da tua outra irmã, limita-te a ti, aos outros, cria círculos, vibrações, amizades, tremores, sentimentos, paixões, despertares, penumbras, eclipses, e aí, sentirás, que, afinal, és algo, és alguém, e mereces ser o que quer que sejas, desde que não escapes às regras. Sê nobre, humilde, forte, fraco, paciente, sensível, resistente, rápido, calmo, ágil. Sê inteiro e não desistas do que és mesmo que aos outros não agrade; pois o que tu és é uma dádiva dada a ti e aos outros que queiram seguir a vida de um amigo ou colega e o que não és os outros tentarão ser para que tenham algo que não tenhas e que a partir daí sejam superiores a ti. Pois pensa que isso é o oposto da realidade, na verdade, quem supera é quem não mexe, como já sabes, a vingança não se provoca, espera-se por ela e, do mais simples toque ou gesto, ela acena ao teu lado. Porém lembra-te: serás melhor se não esperares por ela e sim se nunca a esperares e ela acontecer. É isso que te faz como um e não partes.
E foi isto, foi isto que eu me disse a mim mesmo, e foi isto que aconteceu. E assim me vinguei contra a injustiça que por mim recai, e é assim que continuarei até que acabe a fonte de tal perjúrio. Talvez um dia improve mais, talvez me mantenha assim. Enquanto assim estiver… mal não estou.
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