Finalmente.
Posso falar do que sempre fui e sou e serei mas isso nem eu sei, sei que hoje serei o poeta urbano e que disto não passarei.
Sou um intermediário de sentimentos, sou aquele que os profana e divulga e apesar disto tudo deixo-os agora fluir sobre mim, corram, fujam, espalhem-se e tragam luz ao mundo! Sento-me com os cigarros e falo com eles, enquanto eles encolhem sobre as minhas iras e raivas que rolam pelos olhos abaixo e se escoam para o além. Porém, como o cigarro acaba estas também e estou agora com o cigarro a encolher-se como um amigo que se debruça sobre mim, tal como a doença que porto neste exacto momento que me deporta para outros locais nos quais eu não posso entrar e por vezes esta doença mata-me por segundos. É o delírio, gosto dele. Apesar de o estar a controlar e a fazer desaparecer.
Perda de peso, dor de cabeça e peso sobre mim é o que sinto. Estou vazio, é a verdade. Porém, acabou-se o cigarro e regressou a luz e olho, vejo, reparo, caro saramago não de nome mas sim de nomeada, coisa que raro é o ser humano que sabe, que apenas é um erro o seu nome, e reparo que não reparava em nada. Reparo que o bonito nem sempre é belo e que isso deveria estar sempre entranhado em mim, lembrando-me de quem eu sou, um humilde ateu que a deus nada prova nem sabe porque cá o colocou sem realmente o colocar. E sim, essa é a luz que não via há já muito tempo, que para mim é breve na idade do ser mas não na idade do estar pois essa para mim muito está e muito esteve, estando há já muito a esvair-se em algo que não sangue, que não alma, que não aura, que seja algo! que algo seja! que me leve, ao menos, que me deixe! mas não deixará. E velho continuarei a ser apesar de ninguém o ver, ou melhor, reparar.
Disseram-me que a inteligência não é tudo e eu respondo pois a ganância de a ter também o não é e é assim que me aproveito; sei o que tenho que saber, não preciso que os outros saibam o que sei pois o que sei é meu e só meu e essa sabedoria não sai da caixa que tenho à minha frente enquanto a minha vida – ou lá o que quer que seja – caminha para ela. Não se contraria a verdade, apenas se difunde o que se quer ser e nunca será e isso eu nem quero nem desejo, apenas sou eu que aqui estou, com fases melhores, fases piores, mais pontuação, menos, raiva, dor, alegria, algo seja. Politicamente falando, inteligente é aquele que disso não se cobre mas sim aquele a quem ela vai e vem, e vem e volta.
Tenho sobre mim muitos olhos de falcão, pois não sei o porquê deles; acordem eh-là-oh! obrigado senhor Pessoa! sou igual a vós, vejam o meu sangue vermelho-bem-escuro que me revela o olfacto e gosto a ferro e ferrugem que escorrem até órgãos que música não dão mas permitem a esta alma dá-la a alguém que a queira, vejam que são inteligentes se o quiserem ser e o não ansiarem, vejam que vos digo isto enquanto nada a fazer tenho, algo isto quererá dizer nas entrelinhas! Vejam a parvoíce do que estão a ser e divulguem-se pelos outros a vós iguais, esforcem-se, conquistem-se, admitam que mais nada são que meros mortais, como eu! Rastejando para a cova! Fazendo trinta-por-uma-linha para voltar às cinzas da terra! Deixem-me em paz, ser quem sou, desdobrem-se sobre a vossa verdade, deixem a minha! Eh-là-oh!
Aqui afirmo que sou feliz e serei até morrer pois conheci o meu mundo, não o mundo mas sim o meu e sei do que ele precisa e o que ele vale para mim, e isto sim é felicidade. Não, ninguém lhe tocará, nunca ninguém tocou e nunca eu o vou deixar. Haverá sempre a casca do mundo e a casca do meu mundo, haverá a minha lembrança de correr descalço na aldeia – já muito vaga do tempo que tem passado não sobre todos mas sim sobre mim – e haverá a lembrança das terras da minha aldeia, ninguém poderá saber das minhas, pois é a minha sensação que está em jogo, e sentir por mim ninguém o fará. E é por isso que estou feliz. Porque voltei a sentir e sentir é simplesmente respirar o cigarro que acabei de pegar com a sua fumaça e expeli-la para voltar ao seu rumo. Sentir um arrepio enquanto esta fumaça sai, sentir o calor da minha casa de infância, não físico pois aí é muito fria, mas psicológico, sentir fantasmas do passado, do meu passado, sobre mim e reflectir, reflectir na minha vida, não no que escrevo pois simplesmente estou a descrever o que sinto agora, mas sim na vida, na idade e na relatividade do tempo.
Hoje sou apenas um poeta urbano, daqueles que nada sabem e nada querem saber, os que só sabem que nada sabem, quais Sócrates e Platão, daqueles que não querem nada a não ser o querer e finalmente me sinto bem.
Por fim acaba-se novamente um novo cigarro e que ironia que a vida é. E assim me despeço.
Posso falar do que sempre fui e sou e serei mas isso nem eu sei, sei que hoje serei o poeta urbano e que disto não passarei.
Sou um intermediário de sentimentos, sou aquele que os profana e divulga e apesar disto tudo deixo-os agora fluir sobre mim, corram, fujam, espalhem-se e tragam luz ao mundo! Sento-me com os cigarros e falo com eles, enquanto eles encolhem sobre as minhas iras e raivas que rolam pelos olhos abaixo e se escoam para o além. Porém, como o cigarro acaba estas também e estou agora com o cigarro a encolher-se como um amigo que se debruça sobre mim, tal como a doença que porto neste exacto momento que me deporta para outros locais nos quais eu não posso entrar e por vezes esta doença mata-me por segundos. É o delírio, gosto dele. Apesar de o estar a controlar e a fazer desaparecer.
Perda de peso, dor de cabeça e peso sobre mim é o que sinto. Estou vazio, é a verdade. Porém, acabou-se o cigarro e regressou a luz e olho, vejo, reparo, caro saramago não de nome mas sim de nomeada, coisa que raro é o ser humano que sabe, que apenas é um erro o seu nome, e reparo que não reparava em nada. Reparo que o bonito nem sempre é belo e que isso deveria estar sempre entranhado em mim, lembrando-me de quem eu sou, um humilde ateu que a deus nada prova nem sabe porque cá o colocou sem realmente o colocar. E sim, essa é a luz que não via há já muito tempo, que para mim é breve na idade do ser mas não na idade do estar pois essa para mim muito está e muito esteve, estando há já muito a esvair-se em algo que não sangue, que não alma, que não aura, que seja algo! que algo seja! que me leve, ao menos, que me deixe! mas não deixará. E velho continuarei a ser apesar de ninguém o ver, ou melhor, reparar.
Disseram-me que a inteligência não é tudo e eu respondo pois a ganância de a ter também o não é e é assim que me aproveito; sei o que tenho que saber, não preciso que os outros saibam o que sei pois o que sei é meu e só meu e essa sabedoria não sai da caixa que tenho à minha frente enquanto a minha vida – ou lá o que quer que seja – caminha para ela. Não se contraria a verdade, apenas se difunde o que se quer ser e nunca será e isso eu nem quero nem desejo, apenas sou eu que aqui estou, com fases melhores, fases piores, mais pontuação, menos, raiva, dor, alegria, algo seja. Politicamente falando, inteligente é aquele que disso não se cobre mas sim aquele a quem ela vai e vem, e vem e volta.
Tenho sobre mim muitos olhos de falcão, pois não sei o porquê deles; acordem eh-là-oh! obrigado senhor Pessoa! sou igual a vós, vejam o meu sangue vermelho-bem-escuro que me revela o olfacto e gosto a ferro e ferrugem que escorrem até órgãos que música não dão mas permitem a esta alma dá-la a alguém que a queira, vejam que são inteligentes se o quiserem ser e o não ansiarem, vejam que vos digo isto enquanto nada a fazer tenho, algo isto quererá dizer nas entrelinhas! Vejam a parvoíce do que estão a ser e divulguem-se pelos outros a vós iguais, esforcem-se, conquistem-se, admitam que mais nada são que meros mortais, como eu! Rastejando para a cova! Fazendo trinta-por-uma-linha para voltar às cinzas da terra! Deixem-me em paz, ser quem sou, desdobrem-se sobre a vossa verdade, deixem a minha! Eh-là-oh!
Aqui afirmo que sou feliz e serei até morrer pois conheci o meu mundo, não o mundo mas sim o meu e sei do que ele precisa e o que ele vale para mim, e isto sim é felicidade. Não, ninguém lhe tocará, nunca ninguém tocou e nunca eu o vou deixar. Haverá sempre a casca do mundo e a casca do meu mundo, haverá a minha lembrança de correr descalço na aldeia – já muito vaga do tempo que tem passado não sobre todos mas sim sobre mim – e haverá a lembrança das terras da minha aldeia, ninguém poderá saber das minhas, pois é a minha sensação que está em jogo, e sentir por mim ninguém o fará. E é por isso que estou feliz. Porque voltei a sentir e sentir é simplesmente respirar o cigarro que acabei de pegar com a sua fumaça e expeli-la para voltar ao seu rumo. Sentir um arrepio enquanto esta fumaça sai, sentir o calor da minha casa de infância, não físico pois aí é muito fria, mas psicológico, sentir fantasmas do passado, do meu passado, sobre mim e reflectir, reflectir na minha vida, não no que escrevo pois simplesmente estou a descrever o que sinto agora, mas sim na vida, na idade e na relatividade do tempo.
Hoje sou apenas um poeta urbano, daqueles que nada sabem e nada querem saber, os que só sabem que nada sabem, quais Sócrates e Platão, daqueles que não querem nada a não ser o querer e finalmente me sinto bem.
Por fim acaba-se novamente um novo cigarro e que ironia que a vida é. E assim me despeço.



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