18/01/2013

silence, please

todos os dias se mudam pequenos parâmetros acerca de nós próprios que nos criam diferentes realidades a ser vividas e, dia após dia, todos mudam, todos sofrem uma metamorfose que, por consequência, traz diferenças ao quotidiano de cada um.
o que quero afirmar com isto é que, dia após dia, todos se tornam complexos, estranhos, deixando que a sua simplicidade natural, dada pelo acaso do nascimento, desapareça e se esqueça no horizonte que é a linha vital. a isto chamo eu um grande aborrecimento.

e depois aprende-se a falar fluentemente, a discursar e a vencer pelo dom do discurso, da voz, do grito. é a partir daqui que tudo dá uma volta.
alguns usam a palavra como o bem essencial à vida, outros admiram o que é a palavra pois não poderão pronunciá-la ou, todavia, escutá-la. porém, afinal, o que é a palavra? é o que nos muda todos os dias ou o que usamos como desculpa a uma mudança? tem um formato especial, é igual para todos, é dita, mostrada, demonstrada... afinal o que é a palavra?



um dia cruzei-me com uma pessoa conhecida e essa pessoa sorriu-me. entretanto não me disse nada. apenas o silêncio reinou neste nosso pequeno encontro de milésimos de segundo, o sorriso de quem passa ao nosso lado. mas porque é que senti tantas palavras no ar?
um dia cruzei-me com uma pessoa conhecida e essa pessoa cumprimentou-me. entretanto não senti nada. apenas o desejo de sair dali o mais rápido possível reinou neste nosso pequeno encontro. mas porque é que não senti palavras no ar?
a explicação depende de cada um, é verdade, entretanto há uma parte desta que é geral. a palavra sente-se de várias maneiras e é adquirida de outras tantas, porém só é dita de uma maneira, e esse modo é o de sentir a palavra. mesmo que nunca se diga nada há um processo mental de pensar no que se diria, há um abraço consciente do que se poderia fazer, do que aconteceria. quem menos fala, por vezes, é quem mais sente e quem mais sabe e cria-se assim uma máxima, quanto mais calado mais sóbrio ou, como quem diz, 'senhor de si'. talvez até, quanto mais calado - mais simples, mais natural, melhor.

é estranho e até utópico acreditar nisto, é a mais pura das verdades. porém, apresento um argumento a meu favor. apresento o melhor pensamento de sempre.



como diria o enorme Charlie Chaplin:


















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