se há coisa que odeio é não conseguir escrever. anular milhares de vezes algo que escrevi por não achar serem puras veracidades e apenas momentos de nostalgia - têm-me calhado bastantes dias assim, hoje sem excepção. até que vi isto que, felizmente, continua com os mesmos direitos de autor de sempre - os meus - e continua também com o seu sentido real e, acho eu, não o perderá:
"é difícil, por vezes, distinguir o bom do mau. nesses momentos tudo parece ser tanto uma coisa como outra, fazendo crescer dentro de cada um medos; medos estes que corrompem e que delimitam o ser. e estes limites auto-impostos por cada um tornam as pessoas iguais, mata a originalidade. beneficia o uso das tão proclamadas frases feitas. tudo isto porque ninguém se propõe a arriscar. tudo isto porque ninguém diz "foda-se esta merda, eu consigo". tudo isto porque quem lê tais palavra chama ordinário a quem as escreve. mas aí erram. em duas coisas. em primeiro lugar, não é ordinário, é malcriado. em segundo lugar, pelo menos escrevi-as, fiz delas minha história, enquanto vós pegais nas histórias já feitas para tentarem encaixar vidas descontinuadas que nelas lógica alguma fará. por isso ordinário my ass, extraordinário. sempre."
ao olhar para isto só penso numa coisa: tenho que me apunhalar por muita coisa de errado que fiz nesta (curtíssima) vida mas também tenho que me orgulhar de alguns raciocínios. felizmente apunhalo-me muito mais do que me orgulho, o que me faz evoluir e ganhar coragem, mas ainda não tenho a necessária para finalmente poder pedir perdão, não só aos outros, mas a mim mesmo. até lá posso prometer que, em princípio, vou evoluir, tudo farei para tal e, quando o dia do julgamento chegar, seja qual for a resposta, estarei certo que, pelo menos a mim, já terei perdoado - e como em tudo na vida, só faltarão os outros perdoarem. assim se acabará o jogo da muralha de gelo que edifico em mim próprio, quando conseguir a auto-suficiência de que preciso para evoluir na questão da psique, na questão derradeira do perdão.
como não podia deixar de ser, despeço-me com uma frase - igualmente com direitos de autor próprios - e espero em breve voltar a pensar sem entorpecimentos de tristeza que consomem 'o lado esquerdo' como diriam os da weasel.
"vê como é importante ver através do espelho que tens à tua frente, repara no pormenor que é a fonte atrás do espelho. é a fonte do conhecimento e só a partir dela verás novos horizontes. ainda não viste nenhuma fonte? é porque o teu espelho continua à tua frente. deixa-te de egocentrismos e vê quem quem te quer ver e quem te quer ter. vê além da tua imagem, vê-te a ti."



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