anima-te, anima-te. a vida é um passar e eu sei lá se a próxima vez que fechar os olhos será a última... mas disso só me interessa se sonhar! o outro diria que somos apenas o sonho de ser reis - e bem que tem razão. somos tudo o que queremos, multifacetamento intrigante mas falsamente verdadeiro (para nós verdadeiramente falso, para os outros verdadeiro e para o nós mais inconsciente falso, obviamente). de que interessa isto? fácil. a nossa eterna procura de ajuda, mesmo sem perceber tal. gostamos de ser ouvidos, percebidos e, mais que tudo, ouvir e ensinar, sem sequer questionar. ter as respostas não é saber as perguntas! é sonhá-las mas não percebê-las - e assim se rege o humano, a responder a coisas que nem percebe nem pensa sequer no que é (o que é pensar? para nós, o que é? não na definição científica, mas sim o que é que achamos que seja pensar? intrigante talvez descobrir a resposta).
acho que desisti de perceber o ser humano - ou melhor, a parte mental do ser humano (o bioquímico estuda-se, o etéreo tenta-se perceber, metafísicas?) não por ser difícil ou por não me agradar mas porque, cada vez mais, vou-me distanciando daquilo que todos querem ser, estar ou sentir. é estranho todos sugarem da mesma necessidade de felicidade, de estarem bem, algo assim parecido; isso é, basicamente, o que eu não tento sequer, estancam-se-me as veias e desperdiça-se a hipótese de melhorar, sentir mais e mais alto, conhecer - talvez este seja o mote da minha existência, quem sabe -, tentar desentranhar os mistérios do geral e não do singular (para isso começando do singular, claramente).
porém, a quem é que conto esta minha essência? a quem voltar para desembrulhar a toalha das minhas preocupações? são todos tão buscadores de felicidade e respostas ocas que só teria uma resposta para estas:
claramente. se não sabem o que é nostalgia como explicarei a infância que não se lembram e isso ser isso mesmo? se não sabem o que é pensar como explicarei a dor sem saberem o que é o prazer retirado apenas desta dor?
talvez o desassossego pessoano explique vagamente como o fazer mas acho que prefiro defecar mentalmente o meu próprio método a chegar lá. cheguei tão longe, mais um pouco não custa nada...
pessoalmente, penso que este mundo precisa do novo discurso, aquele que em centenas de anos se volte a repercutir e a ser vangloriado pela inteligência que, séculos depois, voltaria a ter (época indecente, não se percebia o que era a inteligência - quantos génios terão morrido?).
pessoalmente, imagino que chegue novamente o novo poderio mundial de métodos intelectuais - não o nojo que se vê hoje, a desorganização existente com que nos deparamos, mas sim um novo paradigma de idealizações, de raciocínios - e que mostre a quem se dedica a sofrer pensando ou pensar sofrendo que, afinal, o mundo se aproveita ("pensar só faz sentido tudo ser assim, pensar e ver que tudo tem o mesmo fim", como diriam os homens de princípios).
pessoalmente, penso que o palanque precisa de ser montado.
por favor, reinventem o novo príncipe, reinventem o zaratustra, o nosso salvador, ou o princípio de nós nos salvarmos!



Sem comentários:
Enviar um comentário