primeira dimensão.
uma linha imaginária temporal cria a oportunidade de viver ao longo dela, de criar e realizar, imaginar e pensar. uma linha de tamanha plenitude que, se prolongada ao infinito, se transforma num círculo, fazendo então com que todas as hipóteses possam ser repetidas num loop sem parar. dá a hipótese de fugir à rotina, adicionar elementos, tirar elementos, inovar, aprender de várias maneiras, sendo a principal a tentativa-erro.
segunda dimensão.
um plano imaginário físico (material) onde se definem todos os princípios e se ditam as regras, onde tudo o que é moral se dignifica e onde se aprende que nem tudo o que se quer se pode ter, onde se impõem as regras dimensionais à primeira dimensão, se encurta o percurso desta mas que, apesar de tudo, se se estender ao infinito, cria também uma superfície circular, faz de si própria repetitiva mas não inquebrável, variável e possivelmente possa sofrer induções, de modo a tentar seguir as leis da primeira dimensão.
terceira dimensão.
a caixa que exterioriza tudo, a ordem volumétrica total. tudo o que se faz e tudo o que acontece - é nela que acontece. não tem uma forma, uma vontade, um domínio, mas sim uma exploração lógica, deduzida, regrada. é a simples presença, o estar e o viver, o sentir e o entorpecer, tudo dissuadido em algo que se considere infinito. não se estende ao infinito - já o é. entretanto, é o mais rígido, é o único e não deixa haver mais, é a derradeira fechadura à experiência.
quarta dimensão.
o que será a quarta dimensão? de um ponto de vista geométrico passam a ser várias caixas, várias intersecções destas. passa a ser algo que a linha em si já não pode explicar e que se desvia de tudo. em termos sistémicos, passado o tempo, o material e o infinito, o que poderá ser?
em tudo reduzimos, em tudo cortamos. nascemos e começamos a vida com vontade para tal, oprimem-nos com planos de regras e leis, enquadram-nos então na caixa da sociedade. habituam-nos ao sedentarismo, ao monolítico, ao único e ao "aproveita o que tens". porque não vamos mais além?
onde ficou a linha? desaprendemos quando chegamos à caixa? onde está a indução do plano? não podemos deixar a rigidez? onde está o infinito? preso numa caixa?
ou será que estamos presos a um infinito diferente, um a que nos acostumamos e que temos medo de largar? não será a quarta dimensão a altura de conhecer novas caixas, saber quais as linhas dessas caixas, tentar saber como nos relacionamos com essa caixa? o que aconteceu a conhecer algo novo, fazer algo arrojado, desvendar, descobrir, inventar? é essa a quarta dimensão, nunca será o tempo, pois esse já fez a linha e colocou-nos na dimensão em si. esta nova dimensão é o cruzar de dimensões, é o explorar outras vidas com os nossos olhos, é o presenciar das mesmas coisas num novo sentido.
porém, até esta nova imagem tem os seus senãos. as caixas novas têm que mostrar linhas novas, planos novos. se tudo for igual ao que já se tem, nada mais irá alterar. para atingir a quarta dimensão tem que se procurar o novo, o diferente, e não cair no erro de estagnar no que já se tem. isso não será atingir uma nova dimensão, será enganar a nossa primeira dimensão e induzir-lhe uma nova segunda. o que fazer quando já nada mais de novo há? voltar à primeira dimensão. com uma nova quarta. vivendo na terceira. cumprindo a segunda. trocando sempre a primeira.



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