Que dia se fez hoje. Hoje fez-se o dia que não se
corresponde à palavra invocada, o dia que não faz jus ao ser chamado, o dia que
não é dia.
Tentativas frustradas estão por
toda a parte, mas hoje renomearam-se mais alto que o sempre, e eu nunca vi o
sempre, mas também o nunca não vi, por isso por aí andou.
Fraca antologia esta mas
verdade sistemática se torna nos dias que não são dias. E hoje foi um dia
assim.
Começo-me a tornar confuso no
que escrevo. Estou-me a criticar por isso. Talvez seja por andar confuso,
querer coisas e não as poder dizer, tentar algo sem poder mostrar e, claramente,
o karma ainda não joga do meu lado. É algo que só te passa
a ajudar quando já não te importas e isso é impossível actualmente.
E agora começo o desabafo.
Certo dia, um jovem percorre
uma rua, quase avenida, bastante colorida. Esse jovem, despreocupado, tropeça,
cai e magoa-se. Senta-se, trata da ferida e vai-se embora.
A questão, melhor, as questões.
Quem era o jovem? Porquê a
referência à avenida? Porquê toda a cor? Porque será despreocupado? Porque tropeça
e cai? Porque se magoa? Porque se senta e trata da ferida? E porque se vai
embora?
Analisemos. A qualquer jovem
pode suceder algo parecido, mas este jovem é particular e peculiar. E a
situação então é de uma peculiaridade peculiar em si mesma, irónico não? Mas verdade.
Este jovem tem esperança, e porque digo isto? Porque a avenida é uma rua,
apenas uma rua mais larga, muito mais larga, e a esperança torna-nos
flutuantes, ou quaisquer membros de algo louvaminhados, eu sei lá que mais,
também não posso falar assim tanto que a minha caiu por terra e trato-a ou não
ainda não sei, mas assim se vê que era um jovem esperançado. Daí provém a cor. Porquê
cor? Porque a cor é a vida e a vida não pára até à morte e para lá chegar são
dois segundos sem reparar que um deles já passou e o outro é agora e daí a
despreocupação. Ou seja, é um jovem feliz. Não se preocupa com nada, tem a
cabeça cheia de algo que ainda não foi explicado, nem precisa de ser porque se
decifra sem olhar e se sente sem querer, e assim o foi e assim o será, ámen ou
lá o que quiserem dizer pois nada eu direi. E a felicidade é uma rosa com todos
os seus espinhos e todas as quedas se originam em tropeções e daí se vai o
jovem despedaçar contra uma barreira à qual chamamos chão e deitar algo não
palpável ao chão. Daí ele tropeçar e cair, algo o deitou propositadamente ao
chão, força invisível ou poder especial de algo sobre algo nem o jovem
conseguirá explicar.
Agora, uma questão
importantíssima.
Porque se senta?
Quem sabe o que significa o
acto de sentar?
Esta palavra veio do latim
sedentare, de sedeo -ere, estar
sentado ou ter assento. Significa tanto pôr(-se) num assento (assentar) como
colocar ou colocar-se em determinado lugar, e aqui vem a analogia, pois isto
significa três coisas – estabelecer, fixar, instalar. Basicamente ele não se
sentou, ele estabeleceu os seus princípios e as suas virtudes de modo a
percorrer um caminho diferente ao que tanto mal lhe faria mas que tanto ele
gostava. De seguida ele fixou as suas ideias num presente-futuro breve e tentou
conciliar o que tinha, o que tem e o que poderá ter, fez planos a curto prazo e
realizá-los-á a longo prazo pois a ideia foi fixa e de fixa não mudará pois os
princípios são paradigmáticos e apenas em anos e anos de experiência se mudam
as virtudes com a mudança de vontades e de vontades o jovem não muda mantendo
então as virtudes virgens. Por fim, instalou. E instalou de modo a que a
formatação nada fará para contrariar a instalação. Instalou a sua salvação, que
é um olhar para a frente e um não me preocupo mais com isso e isso é a
instalação mais segura que este fez, o rápido e o eficaz dos tempos modernos, o
não me chateies com a minha vida pois dela cuido eu e mais não seria preciso
dizer se não houvessem as feridas.
A questão final é a seguinte:
será que as curou… ou as deixou propositadamente abertas?
Se eu fosse o jovem,
deixá-las-ia abertas…



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