22/11/2011

desabafo com o mundo da idiotice parte II


Que dia se fez hoje. Hoje fez-se o dia que não se corresponde à palavra invocada, o dia que não faz jus ao ser chamado, o dia que não é dia.
Tentativas frustradas estão por toda a parte, mas hoje renomearam-se mais alto que o sempre, e eu nunca vi o sempre, mas também o nunca não vi, por isso por aí andou.
Fraca antologia esta mas verdade sistemática se torna nos dias que não são dias. E hoje foi um dia assim.
Começo-me a tornar confuso no que escrevo. Estou-me a criticar por isso. Talvez seja por andar confuso, querer coisas e não as poder dizer, tentar algo sem poder mostrar e, claramente, o karma ainda não joga do meu lado. É algo que só te passa a ajudar quando já não te importas e isso é impossível actualmente.
E agora começo o desabafo.



Certo dia, um jovem percorre uma rua, quase avenida, bastante colorida. Esse jovem, despreocupado, tropeça, cai e magoa-se. Senta-se, trata da ferida e vai-se embora.



A questão, melhor, as questões.
Quem era o jovem? Porquê a referência à avenida? Porquê toda a cor? Porque será despreocupado? Porque tropeça e cai? Porque se magoa? Porque se senta e trata da ferida? E porque se vai embora?


Analisemos. A qualquer jovem pode suceder algo parecido, mas este jovem é particular e peculiar. E a situação então é de uma peculiaridade peculiar em si mesma, irónico não? Mas verdade. Este jovem tem esperança, e porque digo isto? Porque a avenida é uma rua, apenas uma rua mais larga, muito mais larga, e a esperança torna-nos flutuantes, ou quaisquer membros de algo louvaminhados, eu sei lá que mais, também não posso falar assim tanto que a minha caiu por terra e trato-a ou não ainda não sei, mas assim se vê que era um jovem esperançado. Daí provém a cor. Porquê cor? Porque a cor é a vida e a vida não pára até à morte e para lá chegar são dois segundos sem reparar que um deles já passou e o outro é agora e daí a despreocupação. Ou seja, é um jovem feliz. Não se preocupa com nada, tem a cabeça cheia de algo que ainda não foi explicado, nem precisa de ser porque se decifra sem olhar e se sente sem querer, e assim o foi e assim o será, ámen ou lá o que quiserem dizer pois nada eu direi. E a felicidade é uma rosa com todos os seus espinhos e todas as quedas se originam em tropeções e daí se vai o jovem despedaçar contra uma barreira à qual chamamos chão e deitar algo não palpável ao chão. Daí ele tropeçar e cair, algo o deitou propositadamente ao chão, força invisível ou poder especial de algo sobre algo nem o jovem conseguirá explicar.



Agora, uma questão importantíssima.

Porque se senta?

Quem sabe o que significa o acto de sentar?

Esta palavra veio do latim sedentare, de sedeo -ere, estar sentado ou ter assento. Significa tanto pôr(-se) num assento (assentar) como colocar ou colocar-se em determinado lugar, e aqui vem a analogia, pois isto significa três coisas – estabelecer, fixar, instalar. Basicamente ele não se sentou, ele estabeleceu os seus princípios e as suas virtudes de modo a percorrer um caminho diferente ao que tanto mal lhe faria mas que tanto ele gostava. De seguida ele fixou as suas ideias num presente-futuro breve e tentou conciliar o que tinha, o que tem e o que poderá ter, fez planos a curto prazo e realizá-los-á a longo prazo pois a ideia foi fixa e de fixa não mudará pois os princípios são paradigmáticos e apenas em anos e anos de experiência se mudam as virtudes com a mudança de vontades e de vontades o jovem não muda mantendo então as virtudes virgens. Por fim, instalou. E instalou de modo a que a formatação nada fará para contrariar a instalação. Instalou a sua salvação, que é um olhar para a frente e um não me preocupo mais com isso e isso é a instalação mais segura que este fez, o rápido e o eficaz dos tempos modernos, o não me chateies com a minha vida pois dela cuido eu e mais não seria preciso dizer se não houvessem as feridas.

A questão final é a seguinte: será que as curou… ou as deixou propositadamente abertas?

Se eu fosse o jovem, deixá-las-ia abertas…

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