27/12/2011

crónicas do tá n'hora, hoje às cinco.

As pessoas tendem a esquecer-se das pessoas. Ao longo do tempo deixam de ter importância na vida das outras, muitas vezes até a cara desvanece e esquecem-se por completo. A minha pergunta é a seguinte, será isto propositado ou desregulado e inconsciente?

Se for inconsciente, tenho a ditar que sou um belo reconhecedor facial. Raios partam, não esqueço uma única pessoa e, mesmo passados mais de dez anos, consigo lembrar essa pessoa, mesmo tendo mudado drasticamente! Será defeito ou feitio? Será meu, de pouca parte, de grande parte ou de todos? E se for de todos passamos a segunda teoria.

O propósito de esquecer a face ou imagem de outrem advém de desfortúnios causados por esse outrem ou, simplesmente, o porque sim que todos dizem, e de onde provém o porque sim?, esse provém da falsa ignorância sobre assuntos aos quais não se querem tocar e aos quais se refere muito mais que um querer esquecer porque algo não correu certo ou algo similar, mas sim o ódio profundo, que disto não passará e não se quer sequer pronunciar pelo assuno, e assim nasce o porque sim. Em qualquer um destes casos penso que dotado não fui pois mal a ninguém quero e esquecer só esqueço o pelo qual nunca passei, aprendendo assim o máximo do passado, logo penso que não preciso esquecer de ninguém, e logo não compreendo o porquê de alguém o fazer.

Entretanto, falta uma teoria. Essa é facilmente aplicável por qualquer um, que passa pelo fingimento. E este dói a quem o sabe que estará a receber. E volto a perguntar, então e porquê? Que fez de mal quem o recebe?


Por fim, e fim não se entenda que muito ainda falta e que haverão caminhos pelos quais não entrarei pois são tão profundos que nem o oceano Pacífico enfrenta, concluo com algumas tentativas de desvendar este mistério dos fingimentos. Às vezes, as pessoas não se falam porque, simplesmente, têm medo. E medo de quê? Medo do “será que ainda se lembra”, ou “será que conhece” ou o “será que devo ou não falar” e por será não passará pois a forma mais fácil de contornar dificuldades é o fingimento, e daqui advém a primeira probabilidade, sem esquecer que não direi todas as que penso. A segunda passa pelo facto de conhecer mas não querer demonstrar esse conhecimento e a partir desta haverá várias ramificações, tanto de uma paixoneta passada como de divergências sociais, dizendo que esta é a mais comum de todas, apesar do que se possa dizer, e também a mais estúpida, seguindo um pensamento final explicado mais adiante. A última que exporei, a final divergência que leva ao fingimento, é o querer, não querer saber e não querer. Por partes. Em primeiro lugar quer-se falar e a vontade palpita no lugar vazio em que se denomina que esteja o coração, e vazio porquê se ele realmente lá estará, daí advém o não querer saber. Este não querer saber é o mais forte, o mais enérgico e inebriante, pois desliga qualquer sentimento que possa ser vindouro, mas será que realmente não quer saber ou simplesmente tem medo que o desconhecido seja melhor que o conhecido e que o desligado pode-se ligar muito mais rápido que uma faísca e destronar algo que se julga ser já o perfeito e o presenciável até ao tal até que a morte nos separe e, por aí, viver uma vida nas suposições lastimáveis do que poderia ser e não foi, do que se tornou tal sujeito e eu poderia seguir tais requisitos e no que agora tal não possa pois a vida está servida e precisa de ser vivida. E daí entra, por fim, o não querer. E aqui entra o fingimento, e entra o pensamento do será em prática. Este é o mais forte de todos, emocional ou psicologicamente, e muita gente o usa, para infortúnio deles.


Em suma, e tentando explicar o porquê desta teoria, haverá uma classe aparte, cada vez mais significativa, que são os espectadores. Ou seja, aqueles que pensam receber algo em algum momento, porém ficam vazios por ver que fingimentos com estes também acontecem. E qual é o pensamento que fica? Qual é o sentimento que persiste? É o vazio. De vazio não passa. Porém, é a pena também, não de si próprio, mas do outro que fingiu. Entretanto fácil será dizer que a melhor oferta que a estes se pode dar é o simples olá que daí não passará, mas esses simples olá chegava, e um sorriso se formava.



Será difícil de perceber?



Num mundo em que o ódio domina, não é mais necessário o desprezo, é necessário o abrigo. Mais que isto? Não sei dizer.

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