05/02/2014

a beautiful mess - um olhar sobre o introverso e uma duopsique

se o pessimismo se transformasse tão facilmente em optimismo haveriam problemas?
certo dia viajei no tempo e encontrei-me menor - entretanto mais sábio. sabia onde estava, o que queria e com o queria. hoje, de volta ao meu tempo, nem o olhar sabe o que quer - é apenas um olhar, um tédio gigante; não por ser tédio é hediondo, não, é sim por ser um tédio repetido à exaustão que o deixa de ser - uma rotina, talvez? se visse sempre as mesmas cortinas rasgadas seria uma repetição - deixaria de ser tédio pela importância que teve ao repetir-se. é um facto.
mas a principal questão é que, realmente, fui sábio, até ao ponto de o deixar de ser, deixar de exprimir, não saber o que fazer. aqui começa uma sapienza selectiva, errónea e que destrói.
onze anos de sabedoria, onze de hediondez e uma caminhada para o interior, repelindo o exterior.

quando se é pessimista conhece-se perfeitamente o interior de todos, sabe-se o real do ser - daí o pessimismo se chamar muitas das vezes de realismo, simplesmente é mais fácil para toda a gente dividir tudo em pessimismo e optimismo em vez das duras verdades e tudo o que é abominável no mundo - e a verdade é que essa realidade do ser é abominável, ou se está ou não, ou se sabe ou não, quer-se acreditar que não há o meio saber e o meio não saber. se tal não existir... sou oco afinal, nada sei pois a meio sei tudo.

as conquistas são para ser feitas, não observadas. infelizmente para mim sou um dactilógrafo, não um conquistador. melhor, não aprendi a ser um, ninguém me ensinou e coragem não tive para ser autodidacta. é este o erro que me mudou de sábio para hediondo. hoje revivo o momento de viragem, sei qual é, identifiquei-o e, sinceramente, ainda hoje não sei como fazer para o mudar, apesar de ter sido fácil, apesar de ser fácil e apesar de vir a ser fácil. e é por este realismo que me proclamam pessimista, por declarar o meu erro e não brandir uma espada de coragem, mas por a embainhar e colocar o manto do anonimato aos ombros.

o problema começa quando me sinto optimista. tento recuperar desse erro e fazer-me sábio novamente. felizmente, nunca dá - quando se é herói é-se para todos, não só para nós, e felizmente ninguém precisa de heróis novamente. e assim volto à minha real alma, deixo a metamorfose falsa ser atingida por David e perco todo o tamanho - morreu Golias. os problemas começam apenas quando deixo a realidade e observo as esfinges, nunca o contrário. sorte que as esfinges têm vidas, têm mais que fazer que ouvir a loucura de um realista misturada com factos de uma alma diferente que coabita este alguidar que é o corpo.

dou por mim a desistir, a olhar novamente sobre o ombro e a viajar até ao momento específico - e cada vez mais agradeço à esfinge por partir, não sou merecedor de tal companhia, não sei viver com algo que não sabe toda a verdade - apenas vivo com meios conhecimentos...

(to be continued...?)

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