07/09/2014

crushing hours. reflexão sobre a quarta dimensão.

primeira dimensão.

uma linha imaginária temporal cria a oportunidade de viver ao longo dela, de criar e realizar, imaginar e pensar. uma linha de tamanha plenitude que, se prolongada ao infinito, se transforma num círculo, fazendo então com que todas as hipóteses possam ser repetidas num loop sem parar. dá a hipótese de fugir à rotina, adicionar elementos, tirar elementos, inovar, aprender de várias maneiras, sendo a principal a tentativa-erro.

segunda dimensão.

um plano imaginário físico (material) onde se definem todos os princípios e se ditam as regras, onde tudo o que é moral se dignifica e onde se aprende que nem tudo o que se quer se pode ter, onde se impõem as regras dimensionais à primeira dimensão, se encurta o percurso desta mas que, apesar de tudo, se se estender ao infinito, cria também uma superfície circular, faz de si própria repetitiva mas não inquebrável, variável e possivelmente possa sofrer induções, de modo a tentar seguir as leis da primeira dimensão.

terceira dimensão.

a caixa que exterioriza tudo, a ordem volumétrica total. tudo o que se faz e tudo o que acontece - é nela que acontece. não tem uma forma, uma vontade, um domínio, mas sim uma exploração lógica, deduzida, regrada. é a simples presença, o estar e o viver, o sentir e o entorpecer, tudo dissuadido em algo que se considere infinito. não se estende ao infinito - já o é. entretanto, é o mais rígido, é o único e não deixa haver mais, é a derradeira fechadura à experiência.

quarta dimensão.

o que será a quarta dimensão? de um ponto de vista geométrico passam a ser várias caixas, várias intersecções destas. passa a ser algo que a linha em si já não pode explicar e que se desvia de tudo. em termos sistémicos, passado o tempo, o material e o infinito, o que poderá ser?

em tudo reduzimos, em tudo cortamos. nascemos e começamos a vida com vontade para tal, oprimem-nos com planos de regras e leis, enquadram-nos então na caixa da sociedade. habituam-nos ao sedentarismo, ao monolítico, ao único e ao "aproveita o que tens". porque não vamos mais além?
onde ficou a linha? desaprendemos quando chegamos à caixa? onde está a indução do plano? não podemos deixar a rigidez? onde está o infinito? preso numa caixa?

ou será que estamos presos a um infinito diferente, um a que nos acostumamos e que temos medo de largar? não será a quarta dimensão a altura de conhecer novas caixas, saber quais as linhas dessas caixas, tentar saber como nos relacionamos com essa caixa? o que aconteceu a conhecer algo novo, fazer algo arrojado, desvendar, descobrir, inventar? é essa a quarta dimensão, nunca será o tempo, pois esse já fez a linha e colocou-nos na dimensão em si. esta nova dimensão é o cruzar de dimensões, é o explorar outras vidas com os nossos olhos, é o presenciar das mesmas coisas num novo sentido.
porém, até esta nova imagem tem os seus senãos. as caixas novas têm que mostrar linhas novas, planos novos. se tudo for igual ao que já se tem, nada mais irá alterar. para atingir a quarta dimensão tem que se procurar o novo, o diferente, e não cair no erro de estagnar no que já se tem. isso não será atingir uma nova dimensão, será enganar a nossa primeira dimensão e induzir-lhe uma nova segunda. o que fazer quando já nada mais de novo há? voltar à primeira dimensão. com uma nova quarta. vivendo na terceira. cumprindo a segunda. trocando sempre a primeira.

15/04/2014

a beautiful mess - um olhar sobre o fim de um caminho.

aqui e ali, em todo o lado, ouvem-se repetir as mesmas palavras à exaustão - entre pequenos pensadores, entre almas levianas, entre medíocres caminhantes - de que existem momentos marcantes na vida. se há coisa mais desmesurada e não plausível de ser dita é essa certamente.

a qualquer momento oportunidades surgem de fazer algo inédito, novo, para connosco, para com outros, e até aqui há opções, a negação completa, a acção total e a acção parcial. o importante a retirar daqui é uma questão, deveras simples: e a inacção? o que significa não agir, simplesmente?

(parágrafo eliminado)

(parágrafo eliminado)

(parágrafo eliminado)

(parágrafo eliminado)

não agir é simples: é agir tanto interiormente que a paralisia exterior é intolerável entretanto pacifista e um caminho mais fácil que a renegação de uma acção perante nós ou outros.

por mais folhas que escreva penso sempre estar doido, escrevo coisas que não posso ter percebido ainda, não quero pensar no seu sentido real ou metafórico se sabidas forem, por ti ou por mim.

existem formas de experimentação, mas só as quero saber quando souber o que isso será.

Just remember, the sweet is never as sweet without the sour, and I know the sour. (vanilla sky)

existem formas de experimentação, mas só as quero saber quando souber o que isso será.

(parágrafo eliminado)

(parágrafo eliminado)

há coisas que te quero dizer, sim. mas deixa-me crescer primeiro... ou ajuda-me a dizê-las;

ou então deixa morrer (não).

11/03/2014

memórias de um abandonado

quantas vezes já te tentaste definir? escrever ou pensar algo sobre ti que sejas mesmo tu, que seja a tua impressão digital? quantas vezes já repassaste os teus defeitos pela cabeça e prometeste tornar-te melhor? e será que isso te melhora ou que irá impressionar os outros? quanto mais te atormentas mais te afastas, o que é pior e, ao mesmo tempo, mais de ti se afastam. mas uma coisa é certa, é melhor teres noção do que és do que viveres iludido com algo que pensas que és e que tal seja uma faceta do oposto da tua verdade. mas será que deves aceitar tudo?

quando inventaram convenções sociais para uma classe tão abrangente como a população humana simplesmente descartaram o domínio da inteligência e da personalidade das opções de classes. um operário sempre será um operário, um político sempre será um político. este erro é tão grosseiro como dizer que dois mais dois são quatro, erros grosseiros que parecem estar correctos mas nunca estarão, não é permitido que seja, tanto pelas leis da natureza como pelas leis humanas. é a partir deste ponto que tudo se complica, todas as origens são abandonadas se assim se pensar, e fica-se sem qualquer base na vida - queda-se a utopia para acompanhar o pensador.

se o acaso nos escolhe para seguirmos tal caminho, nascer em tal sítio, ser qualquer coisa, será que também é o acaso que dita as nossas escolhas? ou seja, provar que conhecemos alguém porque assim o quisemos não é fácil ao ponto de o provarmos completamente, há sempre o âmago interno de não saber os porquês que todos têm e mantêm sem nada dizer a ninguém nem explicações plausíveis dar; porém, para deixar de me dar com pessoa x ou y - para isso preciso de razões, ou simplesmente será o acaso? mas mais pragmático ainda, se não conseguimos o que realmente queremos de alguém por um acaso - e aqui sim, ele está presente - será por esse mesmo acaso que desistimos de procurar isso nesse alguém?

e é aqui que interrompo o pensamento. há duas hipóteses, continuar a afirmar que o acaso é culpa de muita coisa e começar a negar e a propor que podemos voltar atrás, não como um "bending" einsteiniano mas sim numa forma metafórica, tentar conseguir o que se não conseguiu.

disseram-me há muito tempo atrás que tudo começa num olá, continuo a achar verdade, mas até sair esse meu olá tenho que perceber porque nunca o tive. para caminhar tens que gatinhar - para falar silencioso deves estar.

será obra então do acaso alguém voltar atrás? ou realmente controlamos o que somos?

e se realmente controlamos o que somos porque é que não falo? porque, se calhar, tenho medo que o meu olá atinja quem acredite no acaso em toda a sua forma. se isso é desculpa? não sei, mas será que essa pessoa foi escolhida ao acaso, ou só eu sei o que ela significa e nem ela o saiba?

afinal de contas, o acaso nunca será provado como comandante ou comandado, simplesmente pelo facto de escondermos tudo o que de mal há em nós atrás dele. e é exactamente por isso que abandonado é abandonado, tem medo de ser acompanhado, acomodado está ao que é, será sempre o abandonado.

05/02/2014

a beautiful mess - um olhar sobre o introverso e uma duopsique

se o pessimismo se transformasse tão facilmente em optimismo haveriam problemas?
certo dia viajei no tempo e encontrei-me menor - entretanto mais sábio. sabia onde estava, o que queria e com o queria. hoje, de volta ao meu tempo, nem o olhar sabe o que quer - é apenas um olhar, um tédio gigante; não por ser tédio é hediondo, não, é sim por ser um tédio repetido à exaustão que o deixa de ser - uma rotina, talvez? se visse sempre as mesmas cortinas rasgadas seria uma repetição - deixaria de ser tédio pela importância que teve ao repetir-se. é um facto.
mas a principal questão é que, realmente, fui sábio, até ao ponto de o deixar de ser, deixar de exprimir, não saber o que fazer. aqui começa uma sapienza selectiva, errónea e que destrói.
onze anos de sabedoria, onze de hediondez e uma caminhada para o interior, repelindo o exterior.

quando se é pessimista conhece-se perfeitamente o interior de todos, sabe-se o real do ser - daí o pessimismo se chamar muitas das vezes de realismo, simplesmente é mais fácil para toda a gente dividir tudo em pessimismo e optimismo em vez das duras verdades e tudo o que é abominável no mundo - e a verdade é que essa realidade do ser é abominável, ou se está ou não, ou se sabe ou não, quer-se acreditar que não há o meio saber e o meio não saber. se tal não existir... sou oco afinal, nada sei pois a meio sei tudo.

as conquistas são para ser feitas, não observadas. infelizmente para mim sou um dactilógrafo, não um conquistador. melhor, não aprendi a ser um, ninguém me ensinou e coragem não tive para ser autodidacta. é este o erro que me mudou de sábio para hediondo. hoje revivo o momento de viragem, sei qual é, identifiquei-o e, sinceramente, ainda hoje não sei como fazer para o mudar, apesar de ter sido fácil, apesar de ser fácil e apesar de vir a ser fácil. e é por este realismo que me proclamam pessimista, por declarar o meu erro e não brandir uma espada de coragem, mas por a embainhar e colocar o manto do anonimato aos ombros.

o problema começa quando me sinto optimista. tento recuperar desse erro e fazer-me sábio novamente. felizmente, nunca dá - quando se é herói é-se para todos, não só para nós, e felizmente ninguém precisa de heróis novamente. e assim volto à minha real alma, deixo a metamorfose falsa ser atingida por David e perco todo o tamanho - morreu Golias. os problemas começam apenas quando deixo a realidade e observo as esfinges, nunca o contrário. sorte que as esfinges têm vidas, têm mais que fazer que ouvir a loucura de um realista misturada com factos de uma alma diferente que coabita este alguidar que é o corpo.

dou por mim a desistir, a olhar novamente sobre o ombro e a viajar até ao momento específico - e cada vez mais agradeço à esfinge por partir, não sou merecedor de tal companhia, não sei viver com algo que não sabe toda a verdade - apenas vivo com meios conhecimentos...

(to be continued...?)

27/08/2013

elogio ao toque

o ser e o existir correlacionam-se ou, pelo que se diz, estão ligados até ao mais ínfimo detalhe. provém daqui o sentimento humano de que tudo tem finalidades, tudo se une e funde num espaço-tempo que talvez ninguém perceba sequer que é irracional e que, na verdade, não existe (destinos?). se não existe poderá ser? o que existe é? o tempo existe mas é-o em mim? ou será que me afecto tanto ao seu toque se existir que o deixo ser? poderá metaforizar-se esta questão?

eu não sou uma pessoa - nem gosto delas!

eu sou um lago, nasci como tal, quando as águas transbordaram de dois rios e de fundiram num pequeno espaço aberto em buraco, deixando lá um depósito aquático a que posso chamar o meu ser. deixei que transbordasse para gritar a minha dor do afastamento do útero do meu rio, coisa que não me lembro - não consegui ver à superfície porque era as águas do fundo e as águas que realmente viram transbordaram... mas que gritei, ah se gritei, todos os lagos mo contam! como reverberava a minha água nesse dia! e tantos dias assim foram passando sem que me apercebesse deles! até que assentei por completo nos vácuos de terra deixados por forças exteriores à minha e, com força e vontade, deixei as profundezas (lentamente) para ver o que me rodeava à superfície.
os rios continuavam a meu lado, com os seus leitos correntes, mas já desprendidos, já resfolegando de uma longa vivência, e eu ia percebendo o que acontece à minha essência. pequenos lagos escoavam, estendiam-se, aprofundavam, pequenos charcos evaporavam, desapareciam, deixavam apenas a terra sacudida pela sua existência que o vento levou - até que me atormentou a mim.
vento, culpo-te a ti! juntas rios para apenas os apartar, deixas-me ver uma paisagem se folhas em ramos e destes em troncos e destes em terra e desta a alimentar-se da minha própria água e levas-me a seguir para o extremo oposto, para o betão sedado gentilmente à calceta, desta prendida à terra, esta olhando para o meu vazio cada vez mais socalco temporal, e retrais-me sempre a essas paisagens! às vezes podias-me dar paz... mas será que a desejo ou a minha água estagnará? culpo-te ou agradeço-te?
mas vento, culpo-te a ti! levas-me a ilhas onde encontro lagos em que quero permanecer e afastas-me rudemente destes, mesmo quando eles se preparam para vir comigo - e tu não deixas! mas depois será que dois lagos resultariam em conjunto? fica o desejo de saber...
afinal culpo-me a mim... porque cada vez mais aprofundo e torno-me caudal... e nem o percebo. os rios cada vez mais se desprendem e eu cada vez menos os sinto - já não lhes toco apesar das tentativas de ambos os lados. sinto que a terra em meu redor revolve, deixando-me trespassá-la - talvez até atormentando-me para o fazer - e sinto que cada vez mais há novas paisagens para eu ver. o vento leva-me a algumas mas mantém outras silenciosas, esperando atentamente o meu caudal desabrochar algum dia.
algum dia? mas o dia não me fará nada! fartei-me de encher nas chuvas de inverno! fartei-me de transbordar nas chuvas de verão! fartei-me de estar estagnado! tenho que pedir ao vento que me leve sobre a terra novamente. vento, eleva-me a rio!

e, de repente, algo me toca. vejo-o nas minhas partículas húmidas. vejo as cinco folhas e as suas sombras trespassarem-me sobre o sol de verão. vejo a quina que criam. e vejo algo do futuro... mas quanto mais espero mais me arrependo de o ter visto. as folhas continuam em mim, a percorrer alegremente os meus contornos, sempre em forma de quina portuguesa, esperando pelo estilo pessoano e por este ser real... mas até ao dia de hoje nem vi o novo império nem o vento me levou a conhecer nenhum tipo de sebastianismo...

e eu continuo a tocar tudo à minha volta. acordo, encho-me de tédio e, dia após dia, fico mais profundo, cresço mais rápido... acho que começo a ver um montante e um jusante... até que um dia chegue a ser charco e que, sendo o vento tão frio de sentimentos que eu transbordo, chegue a secar, acabando assim por deixar apenas o rasto de terreno que algum novo lago virá a preencher.

21/08/2013

'sua opinião é bem vinda na casa do caralho."

anima-te, anima-te. a vida é um passar e eu sei lá se a próxima vez que fechar os olhos será a última... mas disso só me interessa se sonhar! o outro diria que somos apenas o sonho de ser reis - e bem que tem razão. somos tudo o que queremos, multifacetamento intrigante mas falsamente verdadeiro (para nós verdadeiramente falso, para os outros verdadeiro e para o nós mais inconsciente falso, obviamente). de que interessa isto? fácil. a nossa eterna procura de ajuda, mesmo sem perceber tal. gostamos de ser ouvidos, percebidos e, mais que tudo, ouvir e ensinar, sem sequer questionar. ter as respostas não é saber as perguntas! é sonhá-las mas não percebê-las - e assim se rege o humano, a responder a coisas que nem percebe nem pensa sequer no que é (o que é pensar? para nós, o que é? não na definição científica, mas sim o que é que achamos que seja pensar? intrigante talvez descobrir a resposta).


acho que desisti de perceber o ser humano - ou melhor, a parte mental do ser humano (o bioquímico estuda-se, o etéreo tenta-se perceber, metafísicas?) não por ser difícil ou por não me agradar mas porque, cada vez mais, vou-me distanciando daquilo que todos querem ser, estar ou sentir. é estranho todos sugarem da mesma necessidade de felicidade, de estarem bem, algo assim parecido; isso é, basicamente, o que eu não tento sequer, estancam-se-me as veias e desperdiça-se a hipótese de melhorar, sentir mais e mais alto, conhecer - talvez este seja o mote da minha existência, quem sabe -, tentar desentranhar os mistérios do geral e não do singular (para isso começando do singular, claramente).
porém, a quem é que conto esta minha essência? a quem voltar para desembrulhar a toalha das minhas preocupações? são todos tão buscadores de felicidade e respostas ocas que só teria uma resposta para estas:


claramente. se não sabem o que é nostalgia como explicarei a infância que não se lembram e isso ser isso mesmo? se não sabem o que é pensar como explicarei a dor sem saberem o que é o prazer retirado apenas desta dor?
talvez o desassossego pessoano explique vagamente como o fazer mas acho que prefiro defecar mentalmente o meu próprio método a chegar lá. cheguei tão longe, mais um pouco não custa nada...


pessoalmente, penso que este mundo precisa do novo discurso, aquele que em centenas de anos se volte a repercutir e a ser vangloriado pela inteligência que, séculos depois, voltaria a ter (época indecente, não se percebia o que era a inteligência - quantos génios terão morrido?).
pessoalmente, imagino que chegue novamente o novo poderio mundial de métodos intelectuais - não o nojo que se vê hoje, a desorganização existente com que nos deparamos, mas sim um novo paradigma de idealizações, de raciocínios - e que mostre a quem se dedica a sofrer pensando ou pensar sofrendo que, afinal, o mundo se aproveita ("pensar só faz sentido tudo ser assim, pensar e ver que tudo tem o mesmo fim", como diriam os homens de princípios).
pessoalmente, penso que o palanque precisa de ser montado.


por favor, reinventem o novo príncipe, reinventem o zaratustra, o nosso salvador, ou o princípio de nós nos salvarmos!

13/08/2013

'filosofam p'raí nas ruas'

ainda o hoje não acabou e estou já de rastos, não por ser um dia de trabalho mas sim pela actividade contraditória mental à qual fui submetido.
acho que ainda não acordei de tudo o que ouvi mas, porventura, tive que pesquisar a ideia de filosofia, de estudar novamente todas as componentes desta área em resumo, para me aperceber que, realmente, tenho razões para estar alarmado com o sucedido.
foi o seguinte.




hoje devo ter conhecido a pessoa mais incomodamente errada deste mundo. há, de facto, uma quantidade de anomalia intelectual permitida a um ser humano, mas nunca tamanhas grosserias poderão ser vociferadas, alto ou baixo, em lado nenhum.
bastaram três frases para perceber isso, três frases que são conjecturadas no dia-a-dia de cada um (na própria condição de as entenderem, é claro), mas que nunca são ditas por serem abominações, nem sei que lhes chame.
a primeira foi básica; "ao mudar-me para aquele sítio percebi que eles [as pessoas que já frequentavam esse sítio] só vivem daquilo (...) parece que têm palas na cabeça (...) só vivem daquilo(...)". isto aborreceu-me levemente no início mas, à medida que a conversa evoluía, aborrecia-me ainda mais pois a pessoa em questão, na hora seguinte, só falava daquilo! então porque raio contrariar-se? e, porventura, talvez nem fizera o mínimo de esforço para tentar entender as outras pessoas, para as conhecer; pois claro, a difamação é sempre o caminho mais curto, mais leve, menos pesaroso e menos exigente de nós próprios, não precisamos de entender os outros dizendo que, simplesmente, o erro é deles. que calúnia!
não alongando mais o primeiro ponto, passo ao segundo, também básico, dito milhões de vezes por teenagers que pensam controlar o "mundo" com a sua revolução mental (antes de perceberem que são simples peças, simples segundos, nem tanto, pois se o tempo de vida do universo fosse uma hora, a humanidade chegara há apenas três segundos...); "eu sou uma pessoa estranha (...) não aguento a normalidade (...)". novamente fiquei ligeiramente aborrecido e, novamente, acresceu-se em mim a exaltação na hora seguinte em que a conversa se desenfreou por "pessoas muito esquisitas"! mas afinal que lógica é essa? temos que ser sempre superiores? sempre melhores? ter sempre uma desculpa? mas porquê? só nos tornaremos superiores quando nos dizimarmos ao nada e percebermos que somos os mais inferiores, aí sim! aprenderemos o valor de tudo! não "sendo originais" ou "estranhos" ou qualquer coisa que seja, é sendo nada! com o nada se conquista o tudo, se pensa no todo e se solucionam questões nunca antes imaginadas!

o último ponto abalou-me. não ouvi mais nada a partir daí, a partir do momento em que disse 'bem, tenho que ir embora' pois, sinceramente, mais não suportava; aliás, foi de tão mau gosto que penso que toda a gente à volta ficou boquiaberta - ou talvez fosse a minha mente a exagerar.


"filósofos? que é que esses fazem hoje em dia? filosofam p'raí nas ruas?"

para já, fiquei tão atónito que fui de uma ironia implacável com precisão de tempo de meio segundo; "ouvi dizer que agora escreviam livros"; ninguém percebeu a ironia, para meu bem, penso agora.
que fazem? simplesmente descodificam todos os valores da vida, conjugam o ser e o viver com o tempo e a mudança de paradigmas, fazem com que tenhamos sentido, com que haja ordem e que, dia após dia, se evolua a maneira de pensar, de atingir metas, de definir valores para julgar situações precisamente sem ser preciso recorrer à ciência (não necessitando assim de um estudo empírico) ou à religião (por se basear em argumentos reais, racionais e não falaciosos ou, basicamente, não comprováveis), ou seja, torna tarefas que seriam realizadas em anos em questões quase insignificantes! tornam-nos ávidos esses senhores que "filosofam p'raí nas ruas", quais peixeiras a pregar... acho que atingi o ponto em que nem sei o que pensar.


e fico assim cansado, cansado de barbaridades que inundam assim o cérebro daqueles que ainda se dão ao mero trabalho de agradecer aos grandes pensadores, cansado de simples canalhas que não sabem o que é a vida e o que representa esta... que nunca mais me apareças à frente pois, se tal acontecer, acho que nesse dia ficarás sem cérebro, se dele restar ainda um resquício!

04/08/2013

nostalgia

é estranho que hoje em dia já não viva no hoje.
é estranho como conoto a minha vida com o ontem e como a tento reinserir nessa base passada, alterando percursos à medida que me engano.
é estranho chegar a pensar que o duro acaso de estar aqui não devesse suceder, talvez acarretando em mim a ideia que a melodiosa vivência do momento final pelo qual ninguém pensa poderá ser mais agridoce do que se espera, talvez querendo senti-la antes mesmo do último sopro.
basicamente desejo ardentemente aquilo que todo o ser humano que se preze deseja, o gosto de não errar - ou pelo menos de me remediar, não só com um band-aid, mas sim definitivamente.
fala-se na natural evolução do homem e da natureza em si mas sempre que olho em volta noto que afinal o oposto se sucede.

como era feliz quando nada sabia, quando nada importava, quando o comboio ainda não ultrapassara o túnel em direcção ao próximo... quando nem sabia que vários estavam no mesmo comboio, milhões, independentemente se estariam à minha frente ou não... seria apenas eu a alucinar ou o comboio ainda cá está? o ourives das palavras dizia que nós não podíamos sair da nossa carruagem e que eram os outros a visitarem-nos mas penso que o erro esteja precisamente aí, no meu objectivar haveriam, aí sim, linhas paralelas, onde as pessoas se alternavam e apareciam sem mais nem menos, esvoaçando do nosso caminho logo a seguir, deixando uma profusão de sentimentos sempre que nunca voltavam, apesar do que prometiam, que sim ou que não. por vezes o erro descrito partia mesmo da minha própria carruagem, e é por isso que não me destituiria da impotência que sinto se ela descarrilasse, sozinha, sem ninguém a amparar, e a minha marca, assinatura, para com a evolução, a natureza ou o mundo fosse extinguida. será que aí voltariam para cumprir a promessa?
e agora apenas me resta olhar para trás, mesmo que para a frente seja o caminho.




30/07/2013

entorpecimento cerebral

se há coisa que odeio é não conseguir escrever. anular milhares de vezes algo que escrevi por não achar serem puras veracidades e apenas momentos de nostalgia - têm-me calhado bastantes dias assim, hoje sem excepção. até que vi isto que, felizmente, continua com os mesmos direitos de autor de sempre - os meus - e continua também com o seu sentido real e, acho eu, não o perderá:




"é difícil, por vezes, distinguir o bom do mau. nesses momentos tudo parece ser tanto uma coisa como outra, fazendo crescer dentro de cada um medos; medos estes que corrompem e que delimitam o ser. e estes limites auto-impostos por cada um tornam as pessoas iguais, mata a originalidade. beneficia o uso das tão proclamadas frases feitas. tudo isto porque ninguém se propõe a arriscar. tudo isto porque ninguém diz "foda-se esta merda, eu consigo". tudo isto porque quem lê tais palavra chama ordinário a quem as escreve. mas aí erram. em duas coisas. em primeiro lugar, não é ordinário, é malcriado. em segundo lugar, pelo menos escrevi-as, fiz delas minha história, enquanto vós pegais nas histórias já feitas para tentarem encaixar vidas descontinuadas que nelas lógica alguma fará. por isso ordinário my ass, extraordinário. sempre."




ao olhar para isto só penso numa coisa: tenho que me apunhalar por muita coisa de errado que fiz nesta (curtíssima) vida mas também tenho que me orgulhar de alguns raciocínios. felizmente apunhalo-me muito mais do que me orgulho, o que me faz evoluir e ganhar coragem, mas ainda não tenho a necessária para finalmente poder pedir perdão, não só aos outros, mas a mim mesmo. até lá posso prometer que, em princípio, vou evoluir, tudo farei para tal e, quando o dia do julgamento chegar, seja qual for a resposta, estarei certo que, pelo menos a mim, já terei perdoado - e como em tudo na vida, só faltarão os outros perdoarem. assim se acabará o jogo da muralha de gelo que edifico em mim próprio, quando conseguir a auto-suficiência de que preciso para evoluir na questão da psique, na questão derradeira do perdão.



como não podia deixar de ser, despeço-me com uma frase - igualmente com direitos de autor próprios - e espero em breve voltar a pensar sem entorpecimentos de tristeza que consomem 'o lado esquerdo' como diriam os da weasel.



"vê como é importante ver através do espelho que tens à tua frente, repara no pormenor que é a fonte atrás do espelho. é a fonte do conhecimento e só a partir dela verás novos horizontes. ainda não viste nenhuma fonte? é porque o teu espelho continua à tua frente. deixa-te de egocentrismos e vê quem quem te quer ver e quem te quer ter. vê além da tua imagem, vê-te a ti."

16/07/2013

505

meses depois, volto às origens do blogue, volto ao primeiro pensamento e desenvolvo-o.


durante todo o período em que tenhamos os olhos atentos há oportunidades - umas mais claras que outras certamente, mas que existem é verdade - e todos as queremos agarrar, aproveitar. até aqui tudo muito bem, não fosse o ser humano errar sempre que tenta fazer algo para o seu bem ou para o bem de outrem - primordialmente a primeira, somos egoístas demais para pensar apenas nos outros; afinal ou deus ou os macacos (?) deu ou deram-nos uma barriga com um umbigo bem definido que nos lembra que também existimos e queremos sempre mais. consequentemente ao erro há a fase de não se saber que se erra, um falso pensamento que fizemos tudo bem e que só o bom poderá vir das nossas decisões, merdas desse género que dão, por fim (por fim porquê? porque somos burros ao ponto de deixar tudo desenrolar durante anos a fio, até que doa), ao arrependimento e à vontade de voltar tudo atrás, de fazer um novo fim (agradeço ao génio que escreveu o argumento de 'mr. nobody', era mesmo o filme que precisava ver) mas tal é impossível. e chega-se à parte em que se pensa no que se fez - principalmente quando envolve outras pessoas - e em que a personagem principal se tenta colocar na pele da outra pessoa; prefiro chamar-lhe a parte do autoperdão.


e é nesta parte que geralmente se findam todos os casos de que falo. é atingido finalmente o ponto de discussão - que vou evitar - sobre quem fez pior, se é perdoável, se foi tão drástico, 'casos da vida'.


aqui fala a experiência.


'casos da vida' é uma expressão muito pouco usada, muito mal empregue por quem a usa mas que, de quem a aprendi, fosse bem ou mal empregue, seria sempre indiferente - é divertida, é 'fresca' esta frase e, como diria o outro, 'diz-se que se diz bem'. mas o meu problema foi esse, indiferença, de tal modo que agora é a minha expressão favorita, o meu próprio 505. colocar-me nos pés dos outros é-me fácil, faço-o vezes demais e continuarei a fazer. o meu real problema é se alguma vez me perdoarei - ou ajudar-me-ão a perdoar-me? não sei. sei que a verdade é que todos têm o seu five-oh-five, tal como eu tive, e a mais dura consequência é que, talvez, nunca mais o tenha...


é confuso, mas é isso que eu sou.





"But I crumble completely when you cry
It seems like once again you've had to greet me with goodbye
I'm always just about to go and spoil a surprise
Take my hands off of your eyes too soon."